terça-feira, 30 de dezembro de 2014

GRATIDÃO

De corpo franzino pela tenra idade um menino quisera esperar pelo seu mestre depois de mais um dia de treinos
Aguardou como a espera tem que ser. Paciente, lúcida e precisa.
Então ao aproximar-se o mestre do banco onde este jovem se tinhaa sentado, a criança descose-se da
sua timidez e dirigi-se ao professor interrompendo o silêncio daquele final de tarde
"Mister posso falar consigo?"
"Depende do conteúdo que tens para me dar"  
Respondeu num tom irónico o homem sorridente ainda que um pouco surpreendido
O petiz inspirou fundo e ganhou coragem soltando a frase que á muito houvera a marinar desejosa por se satisfazer
"Não lhe vou falar das suas opções, nem dos motivos porque não me leva a ser o titular...queria sim saber quais eram os pontos fracos que o Mister acha que eu tenho a limar, para assim poder de futuro evoluir"  
O homem olhou para o seu discípulo e enterneceu-se
Pôs-lhe a mão sobre os ombros e encaminharam-se os dois para se sentarem naquele banco de madeira, que dava às pedras da calçada motivos de se enobrecerem
"Mais do que qualquer razão ou aspectos do foro técnico-táctico, hoje rasgaste uma pagina insatisfeita e quiseste satisfazer o que em conflito não cosegues potenciar"
Como assim mister ?      
Perguntou o jovem curioso em querer
colmatar as suas pechas.        
"O passo mais importante para evoluir acabaste tu de o dar, pois para evoluir é preciso ceder para brotar as acções que se põem em prática... tens 15 anos e é natural que estejas a crescer, tens  ainda muitos aspectos a aprender, e o aspecto mais importante para evoluir acabaste neste instante de o fazer... Conceder-se para acreditar!"          
Os olhos do menor brilharam insuflados com a chama do saber e ambos firmaram a despedida com um aperto de mão como se de uma partida houvessem fechado uma jura
E sem se darem conta do inusitado, uma porta rangeu e abriu-se...

sábado, 27 de dezembro de 2014

EMBORA

"Bora"...
Anda romper o novo ano de distâncias
e fugir para um lugar onde a abundância,
não seja apenas
a puta da esperança a assobiar de fininho

"Bora"...
Se não souberes o caminho, eu envio-te por GPS a morada
Agora não te esqueças de ti, nem de nada
Insurge-te
Abraça-me
E vamos dar um "H" à "istória"

"Bora"?

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

DO INICIO AO FIM

Porque o fim para mim só tem um inicio...                              
Porque o amor para mim tem só uma sílaba...
Porque a distância de um beijo singulariza-me o caminho...
Porque todo o meu prazer desagua na história...
Porque a minha fome traz enrolado um sabor...  
Porque nos meus sonhos só há um nome...  
Porque em meu silêncio trago sempre um passado...  
Porque certo ou errado é contigo que eu quero estar
Do inicio ao fim.
Na conjugação simples de duas letras que te imploram    
Tu !
                                         
Se eu for um dia o tu que tu és para mim...
O  que será de nós ?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

AORTA

Para quem se encontrar, desejo-lhe um bom dia        
Para quem se procura, uma boa sorte
E para aqueles que se iludem, o meu muito obrigado...
Pois um dia ao ter-me encontrado entendi,
que a vida para ser precisa, é necessário haver
quem se perca no caminho
Os recursos são escassos e o tempo, esse,
é sempre uma partida
Sem meta na chegada  
Nem pódios para coroar momentos, que ficaram a sós
nas bermas da estrada

De mãos arregaçadas estarei eu aqui, paciente
Sempre e sempre...
Até me concluires no diâmetro dessa artéria principal

domingo, 21 de dezembro de 2014

INSTANTES

Todos os momentos são instantes, vestidos de emoções
Como tal o estado de espírito é fundamental para que consistentes e precisos sejam os caminhos
por entre a variabilidade das opções

" escolheu outro alguém, ainda que eu saiba tão bem, que comigo estaria muito melhor servida"

Escapou-lhe assim este pensamento,
sem estrutura nem sustento, para apurar o pleno de uma verdade tão cruelmente digerida
E abriu um vinho enchendo o copo de tinto até ao fim...           Para que não restassem dúvidas de que o tormento seria afogado na embriaguez de um insano momento
Com calma enguliu a pouco e pouco o néctar até à ultima gota
Fluindo deste modo para uma noite que se abria dentro de si

Ignorantes são as entranhas que se marinam com o tempero do desespero, sem se importar minimamente com a fome da alma

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

NO MUNDO DAS BORBOLETAS

Depois de amar, só me resta cá voltar a vistir o corpo e constatar que lá fora impreciso o mundo é expectante comigo...
Para onde quer que eu vá, ele sorri para mim, para onde quer que eu vou, ele acena-me delirante a ir ter com ele, lá adiante, quando o foco de frente atentamente.
Mas eu é que de cá não saio, eu é que de cá não vou, pois francamente a melhor sensação que existe é realmente vestirmos a carne, sempre e depois, de fazermos amor.  Eu e tu, a dois...tão bom!

Desejas-me outra vez ?
Vá lá...
O mundo lá fora insiste !

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

MENTE APAIXONADA

Depois de um beijo, tudo ficou    
O tempo perdeu-se
Os olhos cegaram
Os dedos correram
As formas consulidaram-se
A respiração acelerou
Os pés pontificaram
A temperatura amadureceu
E o mundo parou
No, tu mais eu
Até que depois...
Bem, depois, tudo ficou
O dia nasceu
A luz raiou
As mãos vestiram-se
Os corpos apressaram-se
A boca sorriu
A pele roborizou
Um casaco apertou-se
E uma verdade ergueu-se, num peito agasalhado

Depois de um beijo o que restam são convicções
E certezas, que juntos somos mais que alguém

domingo, 14 de dezembro de 2014

DECISÕES



A decisão faz toda a diferença !
No dia em que dicidi olhar para ti todo o espaço em volta daquele instante  ruiu, deixou de existir
Não sem porém, que houvessem outros horizontes, ou outras formas a manifestarem-se
Mais tarde quando dicidimos dar o primeiro beijo, roubaste-me o chão, e o ar, e a força de querer cá voltar se um acordar, não fosse abrir os meus olhos, num imediato diante dos teus
E assim foram os meus dias...
Anos mais tarde quando dicidi pedir a tua mão em casamento foi para dizer ao mundo que um monumento também se enternece com alguém simples e vulgar, como eu
Amante confesso das noites imersas do teu morno
De decisão em decisões demos à união mais vida, um filho e uns tantos quilos de certeza
Porém dicidimos dar à decisão poderes de se engrandecer
E atribuimos-lhe um peso sem ponderação
Dicidimos que o amor desconfiava, que a união podia muito bem ser prisão, que as amizades podiam ser  afinal falsas verdades e que o sentido também se rasga no alcatrão das encruzilhadas
E dicidimos dar à decisão argumentos, para nos distanciar...

AVAREZA




"Se esperas equilibrar o passo com o proveito que levas à boca
Talvez a mão seja o órgão que mais te sofoca,  
a racionalidade da direcção"     
                                    

Arremessou-lhe estas palavras à cara
Olhando-a nos olhos... 
E despediu-se assim desta maneira
Não fosse mais uma vez cair na ratoeira e menosprezar o seu amor próprio
à muito vandalizado sob o espectro da paixão

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

FONTE DA JUVENTUDE



Tão fácil é gostar do sal quando escorrogadios e molhados

são os corpos lânguidos e suados...  

Abalroados na sede do prazer

Isto só para te dizer...

"O pensamento de um murmúrio"

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

INCOERÊNCIA

"O contrário do amor não é o ódio                                    
é a indiferença"
O oposto do silêncio não é o grito
é a fala
O oposto da dor também não é a cura
se não a saudade
Os opostos na realidade não se atraem
O que os motivam é a ignorância...
Na ânsia de um entendimento

Generosos são os gestos que sabem amar
por não admitirem respirar
a coerênte explicação

Os oposto não se atraem
o que os motivam são as reticências
Instinto animal que no imoral se concede
e objectiva no prazer

Se houvesse na explicação a capacidade de um entendimento
Qualquer arrependimento seria capaz de chorar tamanha tristeza

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

FLIRT

Todo o prazer que não é levado à boca é um gostar que se definha  
É uma satisfação que não enobrece
É um sabor que se perde e se entristece,
a prazo na memória

É no palato que se distingue uma História...

É na boca que a sede se enrola à língua
É nos dentes que se selam decisões
E é nos lábios que se definem as direcções
de um mundo lá fora impreciso

É só o sabor que distingue uma História

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

PIN


Todos os segredos são para serem guardados no limiar da loucura


Por isso todo o ser é uma constante procura


Entrelaçado num sonho equidistante

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

"DESCONSELHO"


Cada ângulo com a sua perspectiva...

Por mais conselho que seja um conselho
O respirar fundo é muito mais direcção

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

REFLEXO



Um reflexo é apenas o irreflexo dos momentos que trazes sem reflexão

terça-feira, 25 de novembro de 2014

AMANTES

"Gosto mais do improviso"
Soletraste-me tu ao ouvido
"Gosto das palavras que me atiras à cara
Sem aviso...
Gosto da tua espontaneidade"

Olhei para ti e calei-me
Digerindo o acerto da razão
E sem contemplação, no silêncio toquei-te

Nesta linguagem tão particular, sai da margem da ponderação
e cheio de tesão fui mais que a tua verdade
Atravessando a barreira da proximidade
provando-te a temperatura por dentro

Salgados deixamos a oralidade dos corpos se entenderem
Conjugando todas as arestas a se provarem
Adestrando formas de se ramificar o léxico
Dando ao momento argumentos de se inebriar

Hoje mesmo distante...
Já só dormimos um com outro
Já confundimos o sonho com a realidade
Já não somos só amantes na verdade
Somos já uma metade de uma outra dimensão

domingo, 23 de novembro de 2014

SENTIR

Conheceram-se num instante, naquele preciso momento
Sem preverem o acaso da ocasião
E com toda a motivação ousaram que se sabiam tanto um do outro
como ninguém sabe coisa alguma de si mesmo
Indusido o inusitado a acertar-se.
Como o tempo que acerta as horas de um relógio de pulso
sem se deixar enganar por um impulso
de uma qualquer pulsação
E foram a jogo!
Jogaram sem prever as regras e os trunfos que semeavam a cada toque dos dedos das suas mãos
Construindo sonhos livres e mais perfeitos do que aqueles que se buscam a cada esquina
Escondendo-se eternamente do mundo feito crianças traquinas
Como as estrelas que se apagam na noite, sem dar abrigo ás almas pequeninas
Que não avistam ao longe a geometria das constelações
E fizeram das noites um véu de veludo
Das pedras talharam mais longe o horizonte
Dos murmúrios entregaram ao vento o sentimento
E ao mar deram ondas de espuma a cantar, ininterruptas
Para nos fazer lembrar diariamente
que para seguir em frente basta haver na pele
a textura de um toque de frio

DEDICAÇÃO


Quem luta com dedicação e honestidade
ainda que uma verdade não prevaleça
É no fundo um vencedor...
Que persiste na oração sem que a dificuldade o esmoreça

terça-feira, 18 de novembro de 2014

FLAGELO

Ao longe avistei um vulto em bicos de pé, que se debroçava sem contemplação sobre um caixote de lixo em plena luz do dia
A agonia atingiu-me "deste longe" a fronte, e sem ponderação abri a carteira... Quinze euros para ajudar uma pobre mulher
Respirei fundo e logo a moral tomou conta dos meus gestos, que para ser honesto e preciso para comigo apenas peguei numa nota avermelhada e encaminhei o passo em direcção aquele "quase nada" de gente, de cabelo desgrenhado e de olhos perdidos.
"Não me leva a mal se lhe der esta nota?"
Ela olhou para mim, sem saber o que me dizer
Estendeu-me a mão e desviou o olhar... "Obrigado senhor"
Virei então as costas à vida e mergulhei no meu mundo, neste meu lugar profundo onde ouso ser um pouco mais que alguém... Banal e tão igual a tanta gente
A sós com a palavra atirei-me à sentença, e mesmo que a verdade nem prevaleça, quis escrever o que o momento me intuiu

O maior flagelo do mundo não é a ganância do homem
O maior flagelo do mundo é a esperança dos oprimidos


sábado, 15 de novembro de 2014

TACITURNO



Se hoje a tristeza me abraça-se, ela sorriria
Não por estar satisfeita ou a rejubilar de alegria    
Mas por se sentir imperfeita na sua capacidade de se entristecer

Tudo o que evidenciamos na escrita é uma forma intelectualmente bonita
de nos declararmos ao mundo
Pois o tempo é no fundo...
Recordações

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

INTERMITÊNCIAS PRAZEROSAS

A intermitência de um momento é tão exacta quanto os picos na pele de um arrepio...
Há sempre quem os descreva
Há aqueles que o tentam, mas, sem nunca alcançar
E há ainda os outros que passam pelas emoções sem constrangimento sem nunca estagnar  
A felicidade é tão vibrante quando um instante nos devassa
E por ter a sua graça ela é escorrogadia e fugaz
Nunca  se entregando a um satisfaz quando um excelente é o exigente insatisfeito prazer

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

PROPAGANDEIA-TE

Propagandeia-te                                                                  
Se não souberes vender a tua pescadinha
nunca passarás além da espinha, de um mero carapau
Promove-te
Envolve bem o isco na ponta de um anzol
para que fisgues do mar todo o reflexo dos raios de Sol
Que cristalinos adornam o céu da terra
Difunde-te
Propaga no eco o dialecto das tuas ilusões
e deixa-te invadir quando o submerso emegir a essência das emoções
Que coloridas e odoriferas promovem o pisar... A calcar um  chão mais fundo
E Pluraliza-te
Rompe a singularidade do mais profundo que te jaze no peito
Gritando para fora toda a aurora que não viste nascer a perceito
Para que o mundo um dia seja muito mais empatia do que um despertar taciturno e desatento




terça-feira, 11 de novembro de 2014

ATAQUE OU DEFESA ?

De frente pró mar
de braços abertos de costas para a terra  
A vulnerabilidade se entrega, a um que será...

Ataque ou defesa ?
Esta é a grande verdade no mundo impreciso da mãe natureza
Trunfos e fraquezas dispostos a se provarem      

Assim são os dias
Alegres ou nublados por apatias
Crentes ou indolentes, sucedâneos de letargia
Por  lógicas imprecisas de validades
Quando na realidade...
Tudo o resto é tão mais tudo
do que a fatalista e indecorosa dignidade

Dignas-te ou indignas-te?
Atacas ou defendes?

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

UMA NOVA ESTAÇÃO

O amor não acaba
O que termina são as estações  
Olhou para a moldura em tons de azul bebé e repreendeu a emoção que por ela se assomava  
Puxou a foto delicadamente com as unhas e vandalizou-a com uma chama lanraja até queimar os dedos polegar e indicador. Deixando a cinza espalhada pelo quarto desarrumado na penumbra da desmotivação
O amor não acaba
O que termina são ilusões
Esta jovem provou no passado o intenso do sentimento,  e hoje sem sustento, apagou todos os vestígios que comprovavam um amor capaz de a agasalhar
Entrou na casa de banho para lavar as mãos e olhou o espelho que à muito a contemplava
O seu reflexo era tão difuso que mal se reconheceu
O seu estado era tão atormentado e confuso que de repente, fez-a olhar para trás, julgando-se na solidão com mais alguém
A verdade é que estava só, tão solitária que nem se apercebeu o quanto mal tratada se tinha fustigado
O amor não acaba
O que termina é uma oração
Tomou um duche para se livrar do quebranto e mimou-se ao pormenor, para que em seu pranto os dias não fossem tão cinzentos
Acendeu um cigarro e filosofou argumentos que lhe conferiram pensamentos muito mais capazes do que a realidade em que se aninhara
A sua história chegara  ao fim, mas ainda tinha tanto caminho pela frente por lavrar...E logo se agonizou, ao pensar que agora estava só
Quanto tempo precisa a agonia para  devassar um corpo nú?
O amor não acaba
O que termina é a escravidão
Pegou num caderno onde sempre escrevia o que lhe apetecia em jeito de sonhos... Que não precisam de lucidez para vir à tona
E compôs na palavra um enquadramento que lhe conferiu acerto ao terminar o texto, assim desta forma
"...O amor não acaba
O que termina é a paixão
Onde a posse é um direito, e a razão nos apequena"

terça-feira, 4 de novembro de 2014

NO DEGREDO DA GERAÇÃO

Quando o imoral é o que moraliza a moral é sinuosa                
Assim era o seu filho.
Cortês e delicado mas sempre tão distante e reservado para com o seu progenitor, que nem por tio ele o tratava
Nunca o havera procurado, nem lhe concedera carinho de ente querido
Na verdade este rapaz nunca o tratara nem o houvera distinguido na sua qualidade de pai
Os amigos diziam para o homem :..."Tem calma, chega sempre a hora que os miudos ganham clarividências"
Outros incentivavam-no a procurar o filho para fomentar laços de proximidade
Havia ainda aqueles sensatos que o ouviam e o amparavam em seus braços promovendo assim camaradagem e momentos de pura cumplicidade
A vida para este pai era resumida por uma moralidade... Mórbida
Cada dia longe da sua cria definhava ininterruptamente, sempre mais um pouco
Mas haviam aqueles dias imorais em que a carne era sarada com pedras de sal para ajudar a cicatrizar as feridas mais profundas
Não havia momento em que o tormento não lhe passa-se pela cabeça, mas a sua história era igual a tantas outras
Pai negligênciado por uma educação infame, que nunca fora a sua.
Fora abruptamente distanciado do seu filho por uma conduta vil com aromas a ganancia e a mesquinhez...
Agora na escravidão da memória havia uma saudade que por mais ingrata que fosse seduzia o seu amor próprio a despedir-se dos gestos e a abandonar, a sua sensatez
E aí então procurava o seu filho ponde-se a jeito para o abraçar ou até se fosse preciso mendigar por um qualquer carinho.
Hoje tal como em todos os seus encontros, a hora já tinha passado e ele ali já se assumia uma vez mais presente... Ausente no desapego da demora do seu rebento
Um bip do telefone despertou as almas dos transeuntes que por ali passavam
"Pai desculpa só agora te dizer, mas não vou poder ir hoje ter contigo... Beijo"
Olhou em redor e leu mais uma vez a mensagem, e fingiu que a saliva que engolia naquele instante não se tratava de tristeza, não dando a beber aos melitantes que por ali passavam, motivos de ambandono.
O imoral de novo vandalizou o seu amor próprio. E sem motivo nenhum sorveu uma golfada de ar que lhe conferi-se acerto ao seu modo de pensar não fosse ele deixar se levar na maré de desdém
"Um beijo filho...Espero que esteja tudo bem e já sabes...O pai tem muito orgulho em ti"
Dito isto, mergolhou na multidão, levando na ideia que uma educação quando desnutrida de moral é fulcral para a degradação das gerações

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

HALLOWEEN




Se tens pelo na verruga
Não corta! 
Se acordaste com o cabelo oleoso
Não o laves!
Se tens olheiras até ao pescoço...
Não te preocupes nem te apoquentes
Não ponhas "aquela" base
Hoje a noite espera por ti
Bruxa que é bruxa usa fio dental, para que nas curvas a  vassoura não derrape 

ZEN

Ao olhar cada instante apercebo-me que não tenho amplitude para conferir ás retinas ilusão capaz de traduzir um concreto momento
Ainda que tente em camara lenta esmiuçar por palavras ficções que me parecem clarividentes
Na realidade tudo o que os meus olhos vêm são espaços na periferia de um instante
E todos os instantes ainda que periféricos são sentidos entusiasticamente...
No inquietar de um alma que se adivinha

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

BROTAR

Um deus que se endeusa não é um deus
Nem o homem é um ser quando se alheia da terra por crer
que em algum lugar existe um entendimento capaz de lhe conferir razão no domínio de um todo
Simbólicos são os dias quando por alegorias acordas pra vida
Sinceros são os momentos quando despertos e atentos dás razão à imensidão libertina do prazer

Perdou-me constantemente quando olho indiferente para um passado que ao longe valorizei
E desejo-me  insistente sempre que presente sou referência na dimensão imensa de um sorriso de alguém

Válidos são os pensamentos quando presentes ramificam distintos a nobreza dos gestos



sábado, 25 de outubro de 2014

ESPAÇO OCULAR

"Gosto de ti"
Rompi assim o silêncio, inesperadamente...        
E olhei-te perfundamente como quem se ajeita ao milímetro para caber no espaço das tuas retinas  
"Daqui até ao céu. .. da tua boca "
Sorriste para mim selando-me em teus lábios para que a tempestade imensa num beijo se manifestasse em desejo, de tocar os abismos mais profundos
E trancamo-nos no olhar a transbordar de prazer
Arrastados pela fúria das nossas mãos fomos arremeçados para uma quinta dimensão onde o concreto e a ilusão se irmanam recreando ao redor uma bolha, onde o sentido é tido sempre que por dentro nos tocamos tão fundo
Emergimos e viemos à tona...
Abrindo os olhos e lá estávamos nós
Concretos e precisos
Geometricamente delineados no foco dimensional de umas retinas

terça-feira, 21 de outubro de 2014

VERGONHA

O silêncio é sempre um ruído que sibila...

Se no ping-pong da conversa
um repente deixar sonorizar apenas um ping
parte em busca do pong
Se do outro lado da rede há uma resposta que te apraz

Arrogantes são os juizos quando imprecisas são as estruturas

O silêncio é sempre um ruído que sibila
num pensamento envergonhado



sábado, 18 de outubro de 2014

VAMOS BRINCAR?

Vou-te propor uma viagem...
Uma viagem onde só tu tens que ir, tal como todas as viagens, em que transportas  na bagagem a solução
Caso aceites concentrate e apaga tudo o que tiver à margem do que aqui é escrito
Estás pronto?
A visão periférica é para ser treinada na vida lá fora, no aqui e agora o teu foco são palavras apenas que se desmultiplicam... São frases que te acariciam as ideias
É o poder de acreditar quando o nexo alcança o oásis ambicionado
É a mulher que se sonha a acordar ao nosso lado
É a viagem da fé que na prática encontra a entidade divina
Caso tenhas vindo até aqui aperta-me bem a mão e vem. Como quem acredita no colo de uma mãe e salta comigo para o espaço onde ambos somos particulas que a gravidade nos tem distanciado
Ves lá ao fundo uma luz ?
É o começo de uma ordem.
Se não há pressa para cumpri-lo vamos então brincar, para que um cumprimento  seja sempre distância neste espaço onde somos o universo das escolhas
Fico contente por olhar para ti e não te ver fugir.
Sabes que depois daquela chama a fuga é o escape da espécie que inflama, tudo foge.
Os dias correm, as horas acabam por se escapar por entre a sonolência d um acordar e um sonho contido. O vento venta para se escapulir, os seres correm para se esconder, para fugir, a vida foge da morte, e até há quem busque a sorte com a morte daqueles perecem
Tudo é tão fugidio que aqui no espaço em branco vazio tu e eu podemos ser aquilo que bem entermos...
Basta para isso haver cooperação das mãos, basta provocarmos os sonhos que afagam o sorriso, basta sermos precisos para não nos atrasarmos.
"É tão bom ser ser criança !"    
Dizes-me tu
Olho para ti e sorrio e aproveitando o embalo e respondo-te
"A criança nunca morre cá dentro, o que cresce em nós são os lamentos e uma crescente vergonha de brincar á séria "  
Demos as mãos, acreditando nos elos que nos gavinhavam os dedos e rodopiamos.
Procuramos as estrelas que habitam no território das tonturas
Vimos luas e cometas no girar de dois corpos que se provocam de emoção e cansados acabamos por cair. Caimos num riso tão profundo que gargalhamos este e o outro mundo.
Somos loucos, dizem os apredizes de gente, somos loucos porque gargalhamos de algo que eles não entendem, manifestamos alegria que não contempla a lógica e então chamam-nos de loucos
Aos poucos criei este espaço onde adultos se fazem crianças quando descomplexados se vão dando as mãos. Onde gente crescida se deixa contagiar pelo ficção, porque no fundo todos eles vivem um faz de conta nas entranhas de uma ilusão
Vamos brincar ?
Vamos sair para a rua sem nos olharmos ao espelho ?
Vamos sonhar, e vivermos a existência sem necessidade de ser velho ?
Aproveitando cada momento para brindar o movimento que não pára no inebriante de criança que alegremete tem esperança de haver liberdade sempre que distraida se solta num espreguiço sem se importar

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

NA CASA DOS SONHOS

"E que tal dar uma pista ?"                                        
Deixou ele a pergunta no ar,
momentos antes de abalar e bater com a porta da rua
"Vou ali e já venho... "
Fociferou mais uma vez para a casa vazia,
como sempre o fazia antes de abraçar o alvoroço da cidade
"Mas se "ojávenho" não me trouxer, fica descansada"
"Seguramente é porque "oali" lá fora, estará muito melhor..."  
E trancava a porta de casa como quem guarda no cofre um segredo,
dos mais previsíveis
 Se um enredo tiver um bom argumento
Os dias serão melodias e as saudades empatias de maravilhosos momentos
Tatuou um dia este rapaz... Rapaz ? Sim rapaz, porque este homem não se permitia comer da apatia dos outros!... estas palavras na pele
Para que o corpo nunca se esquecesse que para sair de si é preciso saltar a fronteira da carne para provar dos sentimentos
E todos os dias voltava para casa com novas histórias    
Muitas delas banais e esquecidas para serem contadas
Mas todas elas emergidas e ampliadas no fofo do algodão de uma nuvem onde deliberados eram guardados os seus sonhos

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

NO OLHAR DAS MARGENS

O tempo que não vivemos hoje
já mais voltará a ser o tempo que nos quisemos

Motivámo-nos enternecidos pelo toque
Saudámos o pensamento de bravura
Conquistámos a moralidade até ao limiar da loucura
E respiramos fundo
sempre que distantes duas almas se marginalizaram

O tempo que não vivemos hoje
já mais voltará a ser o tempo que nos quisemos

Há palavras que me dizem tanto e no entanto são um mero sentido...  
Há distâncias que só são distantes por não haverem retido
a paixão na métrica dos beijos

O tempo que nos quisemos
já mais voltará a ter a mesma dormência
por entre a insistência de duas margens que de longe se avistam

Talvez por isso haja hoje numa das margens de um rio
aquela inóspita, a que não prospera e que no sempre se definha

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ALERTA VERMELHO

Para quê alertas amarelos de meteorologia                        
ou alertas laranjas de ultima hora
Se aqui "no agora"
o que há por fazer é tão alerta vemelho

"Coincidiu tudo com a praia-mar (maré cheia)"
Assegurou um politico da nossa praça, que andava a fazer campanha.
P***************que vos pariu!
O que coincidiu, foi haver chuva que só varre as ruas
e não haver maré que vos arraste e arranque de vez
da mama da insensatez
Por andarem à mais de uma década a abocanharem a ignorância de quem vos confere soberania
Quando chegar o Inverno e tiver maré vazia (baixa-mar)
Eu quero ver...
Quais são "os ratos" onde coincidem as vossas desculpas

Haja miséria na terra, para que a ignorância de um povo seja sempre bem nutrida

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

FORMAS






Na união

não existem formatos para as formas 

O que existe são almas que se aninham

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DIVAGAÇÕES

A explicação tem o dom de subtrair razão
à liberdade dos corpos que se sonham
Talvez por isso a Matemática nunca tenha sido o meu forte
Nem a Astrologia fora capaz de se irmanar à rosa dos ventos
para me indicar um Norte
Nem a religião houvera ter sido tão precisa
para me tirar o chão e me iludir na ilusão
algures pelos caminhos do além
É caricato como me entendo tão bem
sem saber "o que" convém sequer ao certo
É tão envolvente o meu gesto
quando dormente é o meu corpo no teu
Que tudo o que desejo, imagino que preciso tanto
E no entanto o que me carece só me entristece se na prece
concluo que me doou à angústia
Ao me esmiuçar sem conclusão


Tudo o que faço exerço mesmo sem  me concluir...
Hoje entendo que para me defenir seriam precisos apagar os sonhos
esquecer as saudades e adormecer por dentro a liberdade
de querer aquilo que na verdade
meu já mais um dia fora

sábado, 6 de setembro de 2014

INSENSATEZ

Em torno de um conselho vives tu
Administrando palestras e motivações ancestrais
Provocas a sabedoria dos gurus
com lógicas e fundamentos que lês nos manuais
Porque vais por aí ?
Perguntas-te tu
Não conseguindo esclarecer o concreto
Nessa forma de amortecer o intelecto
por entre os dias que te abafam
E apregoas
motivas e insinuas...
Inusitadamente
Matérias e ilações despropositadas sem vírgulas.
Porque te concedes assim?
Ruminando no pensamento de alguém
Sem buscar nos detalhes as nascentes
por onde correste um dia
Sem motivar a essência de tons e melodias
a reprecurtirem a fidelidade
Dando formas a pensamentos
materializando a liberdade
Que débil ou exacta partirá seguramente um dia
virgem e imaculada, sem deixar saudade
Na terra escura e húmida onde impunes os corpos se deitam

terça-feira, 2 de setembro de 2014

GRAN VÍA

As palavras são como a vida
São mágicas !
Antes de as debitares nunca sabes muito bem o que irás encontrar
No espaço por elas descrita  
Se as arrumares direitinho podes até encontrar um caminho tão mais colorido e definido para te inebriar
E se as acoplares com mestria podes muito bem vir a ser um dia
a alegria daqueles que dependem da melodia na prosa dos versos
 
As palavras são vida
Vivem da multiplicação do aglomerar das emoções
São imensas por contemplar o divagar na corrente das decisões
Vivem espectantes a jeito e à lerta que as convoquem e as alimentem
nas vagas perenes do desejo

A vida são palavras
São momentos descritos num plano das letras    
São imagens encriptadas numa dimensão que só tu as sustentas
São sentenças consumadas e delineadas no espaço sentimental de um ritual...
Que dás ao bailar dos dedos
na umbilical "gran vía" dos gestos

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

MOMENTOS

Tudo o que passa
leva-nos de alguma forma
presos ou soltos na imaginação  
Tudo o que passa
subtrai-nos os dias na adição dos momentos
Tudo o que passa
exorta-nos acenos à contemplação
Tudo o que passa
quebra-nos imediatos tão fugazes
de haver premiado uma decisão...
Num simples safanão de destreza

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

ENSADECIDO





Quem se premeia com loucura
concede-se sem escrevatura 
de sistemas
e de fugazes momentos


Todos os extremos são insanos
Todo o insano é quase que um todo
E o todo...
Quando completo é utópico
Na coragem entanguecida da razão

terça-feira, 26 de agosto de 2014

MORALIDADE RELUTANTE

A causa da moralidade é tão caótica e tão demente,
que o homem chega a matar sem acreditar piamente naquilo que sente
Escravizando-se desmensuradamente
com democracias ou em qualquer outro tipo de demagogias que lhe confiram sustento...
Para aparar tanta loucura.
A religião mata cruelmente
Politicas torturam até ás entranhas
Filosofias decapitam mentecaptos
E o homem blasfema da teta se a mama já não alimenta... Seca e pervertida de tanto abocanhar

Em tempos a Religião edificou-se para assumir a moralidade.
Filósofos e pensadores refinaram a sua essência.
Mudaram-se os tempos e vieram as politicas para gerenciar (desgovernar) um patrimónieo publico

Os costumes só são hábitos se os acostumares ao logo da posterioridade      

Ainda que não haja fita métrica para medir a unanimidade do ridículo.
Nem fé capaz de assegurar clemência na demente religião
O que prevelecem são as atrocidades
Quase sempre capazes para vandalizar com justiça o benevolente dos cidadãos

Tudo o que inventámos para esconder os nossos medos são hoje casas edificadas ao longo da vasta periferia...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

TOQUE

O banal é um ritual tão romântico na vida
entrelaçada da paixão
Que o coração viaja sem tirar os pés do chão  
Sempre que em uma das palmas da minha mão
há a singularidade de haver uma das tuas...

Nunca é preciso dizer mais nada quando o nada já é tanto!
Que "Nadar" pode ser imenso, para que tudo faça sentido

terça-feira, 19 de agosto de 2014

ILUSÕES

A percepção de um olhar nunca é senão um
divagar, daquilo que  precisas  de ti.
Da mesma forma que um tinto só tem o travo do melhor néctar quando na lingua, saliêntes e concisas moram umas papilas gustativas
E assim...
Por mais que olhes para alguém nada será como é.
A nao ser que te conheças de facto!
Olha e percepciona, não te precepites no exame pois todo o timingue é um imediato capaz de converter ilusões

domingo, 17 de agosto de 2014

MIAU FU FU

Como um gato que se inebria perante uma porta entre-aberta
O dia nasce no horizonte espreitando uma linha descoberta
Um acordar desperta, à mesma hora num prédio esquecido.
E um povo entorpecido amanhece convencido
que hoje o dia será de jornada
A ilusão é então lançada...
Servida e imaculada por uma chavena de café da manhã
Que sem pão para o seu sustento,
dão aos corpos desnutridos, almas enguiçadas
Presas a um novo aumento, na balança dos impostos.
Lá fora o barulho irrompe a madrugada...
Transportes públicos apinhados e amarrotados de gente
proliferam as artérias
Saindo religiosamente todas as manhãs, a um mesmo horário.
Dando agasalho, a vírus e constipações
Ao longo do dia já se comia mas sem provisões, há sempre um mosquito ou uma aranha a reclamar distracção, presas à sinfonia de concursos de televisão, com sorteios que nunca se chegam a conhecer os seus justos vencedores.
Agora a tarde entardece, mas ainda é cedo para cumprir o mesmo enredo, de sentimentos assolapados na guelra
Um telefone toca e do outro lado da linha já não se adivinha o ente omnipresente...Pizzas, promoções, descontos, notícias e ilusões de saldos positivos desaguam nos tímpanos apelidando-os de infractores da moral, numa ética vigente sem igual, modelada pelo bacanal da promiscuidade
Amanhã certamente o galo não se esquecerá de cantar a mesma hora
Nem a bica será esquecida de ser bebida pela habitual rotina
O jornal esse será igual de uma ponta à outra
E na TV o teletexto passará notícias de um telejornal
E a ideia que fica é que na realidade nada  fica, se não o que se sente...
Se não a ideia de ter passado um dia algures por aqui, indiferente
A um compasso relaxado felino que à pouco acabou de acordar
por sentir lá ao fundo na perpendicular, o diâmetro de uma porta entre-aberta.

sábado, 16 de agosto de 2014

PARADOXAL




Acreditar
é amar no que o viver pode dar
 mesmo que sinuosa
seja o tamanho de uma cruz

INDELÉVEL

O que me inflama não é a combustão
Não é o sexo nem a chama de um beijo
Se não...
Um pensamento que prefura a brandura do meu ser  
Com vontade de por à boca o que comer,
desse teu corpo tão cruelmente apetecível
Salivo-me das entranhas à pele sempre que te assomas do meu peito
E eu desajeitado busco-te sem jeito
faminto em exorcizar a ância de te querer
As horas param neste meu universo
Onde és a chama e eu o progresso
na  grama por onde arder...
E levas-me sempre para todo lado
Para onde quiseres
Pois sabes bem que és de todas as mulheres
Aquela que me faz sonhar
A que me impele num aqui ficar
Até me transcender


"...amo aquilo que nos torna mais do que somos..."
(Irvin D.Yalom)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

PUZZLE

Ninguém existe pelo que é se não pela potência que o rodeia
Tal qual um oásis que se aninha rodeado de verde, num deserto.
Que sem objecto à sua volta para se energizar, um dia se degrada...
Tornando-se um cacto
Espinhoso e traiçoeiro de se fazer acompanhar

O espinho é na pele o ninho da dor
A carne é da alma e daqueles que a conquistam


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

INDEFERENÇA

A ignorância de quem ignora, é tão ignorante, mas tão ignorante
Que chora, mas não grita...
É claro que não falo daquela ignorância barata e bruta,
que grita por tudo e por nada
Quando falo de ignorância refiro-me à ignorância filha da puta... À astuta
Daquela que rumina calada até ás pregas
Da que se amofina sem se importar com o cheiro,
Daquela que se omite de cinzas feito cinzeiro
Recipiente atolado de beatas que nunca dá parte fraca...não vá algum dia se queimar
Como se a ignorância pudesse ser matreira e sagaz, feito raposa que sorrateiramente ataca mordaz sem deixar rasto
Ainda assim não sei qual destas ignorâncias será a mais ignorante
Se a que se insurge sem se importar com "o incomodar" dos outros
Ou aquela que chora por dentro, sem se presentear no cumprimento do lamento,
de um lamuriar a preceito.
Mas o que não compreendo porque não é lógico, é o facto de nos ignorarmos a nós próprios quando ignoramos alguém...
Sim porque a ignorância de ignorar os outros não é mais do que uma encenação de sermos aquilo que não somos. E há tanta gente que de facto ainda pulsa, sem ser realmente já quase que ninguém...

A ignorância é a distância indiferente à direcção
É um piloto automático que tutela o corpo conferindo-lhe orientação
É o passear pela vida sem qualquer tipo de pressuposto
E voltar todos os dias em contra mão, acabrunhado e indisposto
Só porque num dos bolsos, jaz uma chave de casa...

terça-feira, 12 de agosto de 2014

ÍMPAR

Paga o que deves !
Se não deves nada a ninguém, contraí a divida.
A vida não é para ser perdida na estabilidade de uma normativa. Onde um zero de um saldo positivo...mas que puta de zero tão redondo... se traduz na brandura de jogar só pró empate, sem saber bem o que é jogar e sentir os sabores de um orgasmo quente na boca.
Ou o que é sentir na garganta um grito aflitivo de vitória por ter arriscado os últimos cobres da algibeira. Ou foder todos os desejos que imaginas que realizas e te concedes em cada masturbação, saciando-te a fome... Sim, pores à boca as melhores iguarias e dando-te a beber o melhor dos nectáres.
E dormires tanto... tanto tanto, que hibernes meses a fio só porque lá fora está frio e tu cá dentro tens uma preguiça do caraças.
Embriagares-te da alma aos cotovelos até te roçares no inusitado de outras perspectivas.
Ir aos quatro cantos do mundo e registrar as tuas insígnias como um alpinista que ao escalar os Himalaias pontifica lá de cima a sua bandeira.
Tirar dos livros a leitura de um sonho que alguém escreveu, saltar alto sempre que as emoções te preguem ás entranhas, brincar feito criança que imagina mais fundo, o mundo do faz de conta, namorar em qualquer lugar, porque todos os espaços são possíveis para realizar o beijo dos apaixonados, a cada esquina.
Intoxicar-te de nicotina ou a uma outra substância qualquer acabada em "ina", que te dê asas para voar, adornando ao pormenor a criação de expor cá para fora todo o verso que se afunila no inverso da tua pele.
Correr quando te apetecer mesmo que estejas descalço, ou até numa repartição de finanças, morder até ao abocanhar das gengivas, pintar até se acabarem as cores.
E sonhar, ai tão bom! Sonhar e amar, sonhar e amar, sonhar... Como o tic tac de um relógio que nos faz lembrar que lá fora o mundo pulsa sem ser tão preciso.
Arrisca, grita, fode, come, dorme, bebe, viaja, lê, salta, brinca, namora, apaixona-te, fuma, cria, gera, pinta, masturba-te, realiza, voa, corre, morde, espreguiça-te, ama e sonha...Sem nexo de haver ordem para a desordem daquilo que te inebria.
E se o saldo continuar a ser zero, arrisca no que se foda... Sê ímpar!
Contraí a divida

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CONQUISTADOR

Tudo o que te aguarda é uma conquista
Um modo imperativo de ser
Um ato rasgado de trivialidades
Um horizonte aglomerado de histórias

Tudo o que te aguarda é uma conquista
Uma saída à entrada das emoções
Uma escolha no ventre da causa
Uma possibilidade no emaranhado das opções

Tudo o que te aguarda é uma conquista
Uma sede catastrófica de mobilização
Um desejo faminto a vitória
Uma memória sentida no peito

Tudo o que te aguarda é uma conquista
Numa batalha consumada no tempo
Numa oração arrancada ao infinito
Numa obra elaborada a pincel

Tudo o que te aguarda...
São conquistas!
Porque ninguém espera por ti
Nem se prostra numa esquina à hora exata
Impávido e restrito na periferia de um amanhã

Tudo o que te aguarda são conquistas
Tudo o resto é uma muralha, dando hospício à imaginação