sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Inspiração


Abro as janelas e escancaro portas
Deixo a corrente de ar me roçar
Sento-me no ponto mais intenso do sopro
E sinto o vento encanado me chicotear pela inspiração

Estico-me em tentáculos de anémona
Filtrando as partículas da aragem que me alimentam a derme
Materializo o fluido construindo pontes de sentido
Para que nem as regras nem as normas me rasteirem o rumo incerto

Respiro fundo pensamentos,
Passeio entre doutrinas,
Vagueio sob sistemas,
Sonho com fantasias,
Germino ideias,
Solto recordações...´

A pedra é rocha quando a areia já não se integra

O que os outros possam julgar ser um dom
não é mais que letras em cima de palavras
De mesmices que repercutem da turba...
Lá fora

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Hino


Gostava de escrever uma canção
Á laia de hino nacional
A canção em que o sentimento vem antes da palavra...
E da melodia
Uma musica que não induza
mas que encante
Capaz de ancorar os sonhos que jazem nos caracóis de uma criança

Carrego na letra na esperança
de sacudir as almas
Limpar o pó dos fogos de verão
Semear a esperança que a idade sonega
Entregar a confiança que escapou no orvalho de folhas mal nutridas
E operar no espírito a arte que ecoa

Tenho a vontade de converter a tinta em cânticos
Adestrar num grito...
A espontaneidade
Trauteada ao ritmo de um pulso firme
De um bombear intravenoso
Capaz de romper gargantas
e de fechar os olhos a uma qualquer crença

Desejo escrever a canção
Espalhar no ar a musica que incita
Esticar o sorriso á melancolia
Roubar a quem governa,
os juros das migalhas da vida
E ser o pão que alimenta
os recantos dos cantos que tu nem ousas saber

sábado, 25 de setembro de 2010

êxito


Pedir para não fazer mal é diferente de pedir a perfeição
Incutir a prática de se distanciar do erro
é fazer com que o objectivo possa ser alcançado
sem que para isso se esteja a pedir mais do que realmente cada um de nós pode dar

Todos os campeões cometem erros
No final aquele que alcança a meta
é aquele que se distanciou mais da imperfeição
...será aquele que não sendo perfeito foi o que mais se aproximou da magnificência
Sem ser transcendental

Quando questionados sobre o vazio que estes “campeões” sentem,
a resposta é inequívoca e evidente
Eles tambem buscam a perfeição sem se acharem
O que os faz julgar inseguros vazios e menos preenchidos
É a imagem que educam da perfeição

A razão pura por si só não existe
A razão ao longo dos tempos não é mais que uma actualização de informações
Na tentativa de se aproximar de uma lógica
que se padece em determinado momento

Para vencer não é preciso ser mais do que aquilo que realmente já somos
Esta é a formula mais acertada de chegar ao sucesso
Porque na pratica o êxito
É a soma constante e indubitável do insucesso
É a dormencia e a quietação do receio
Que gera um resultado feliz

Aquele que tem a capacidade de alcançar interiormente a razão perecivel no tempo
É o campeão que não se esconde nem se alucina dos medos nem dos fracassos
Por compreender a entropia que o rege
Sem perder o objectivo a alcançar no fio condutor da coerência

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pombo correio



Pssssiiuuuu
Sim és tu...
Vem cá
Não consegues entender?
Ou tens pouca coragem...

Não sentes que estou focalizado em ti?
Será que ainda não te apercebes que quero falar contigo?
Sim ...é para ti
Ainda não estás seguro?

A escrita está longe de ser
Pombo correio de informação vã
Voando em muitos assuntos
Sem ter o conteudo coêrente a dar

A cobardia do conselho silencioso que a tinta propaga
É veneno resinoso
Na timidez que um olhar esconde

Na palavra situo a pressão arterial
Que difunde a cronologia do desenvolvimento
Que entope as minhas artérias

Não dou ensinamentos
Pois não procuro solucionar os problemas dos outros
Nem tenho curso de magia para leccionar
Apenas me situo nesta estrada sinuosa
Para pontificar a geologia da terra em conformidade
Com a minha identidade

Atitude é buscar na oralidade o vocabulo que a escrita oculta

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

osculo

Olhei-te num espaço de um beijo
De labios dormentes e olhos fechados
Imanavas nos traços, carinho salpicado de ternura
Exalavas genuinidade nas tuas pestanas
Prontas a segurar o desejo que filmavas entre pálpebras

Cerrei os olhos e mergulhei fundo
Pronto a entrar em cena
...na tela do teu apetite
Pronto em ser aluno exemplar
...dessa tua fonética dos sussuros
Pronto a entranhar-me em ti
No desvaneio da tua ilusão

E de novo o beijo abalou as nossas estruturas
O toque atiçou as brasas com impetuosidade
Deixando em carne viva o apetite ávido
Fazendo correr em suor,
As lagrimas da satisfação que nos hidratava o arrepio
Sequioso do aroma que nos exalava
Por entre dois corpos nus

Nisto...
Acordei no delirio de um sonho
Lembro-me que á pouco acenavas para mim
Desvairadamente quis saltar para dentro da bolha da utopia
Sem que obtive-se ressultado
Assomei a escrever no papel as cicatrizes da fantasia
Indescritível de materializar na tinta
O gosto e o cheiro na perfeição de um beijo

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dádiva melodica


Imploramos...
Protestamos...
Reclamamos tanto mas tanto
que nos esquecemos de o formalizar
Irados contabilizamos prejuizos de passados
Com a aderencia do adesivo que nos cala
E sem as energias de outro´ra
Expandimos as veias que nos musculam o olhar

Ponderação é lamina que poda a vida
E tu insurgiste com o quê?

Sem confiança gerimos mal o pensamento
O fio condutor que o suporta perdeu-se algures
No emaranhado de fibras que novela a indolência
Fraca, sem estimulo para agir no momento oportuno
Questionando, desconfiando, temendo, receando...

As duvidas são tantas que nos desacreditamos
Crentes um dia que o ámago existiu em cada um de nós
Crédulos que somos unicos e diferentes
Mesmo sabendo que o combustivel que governa o mundo
Não é o oleo em tons muito escuro que extraimos da terra

Agir de uma forma autómata
é representar
Tudo o que é maré sob regras,
é estagnação
Quem nada contra a corrente
Só pode evoluir

Rogo de modo a depreender em tons de canção a
Dádiva da melodia eloquente

domingo, 22 de agosto de 2010

Metamorfose


Nas rochas escarpadas construidas em mar alto
Edificas a minha falésia
No ponto mais belo e perigoso dos precipícios
Onde o vento me ampara
Preso num olhar teu
Onde os teus cabelos me roçam
Fixos na quimera que me incitam o verso

Pontificas o meu abrigo
Sob a arrebentação das ondas em pedra talhada
Que me uivam canticos delirantes
Com a rima presa na quadra
Capazes de moldar a razão
Á identidade que me rege

O perigo lá em baixo
Não mostra o risco
Dos meus pés tactearem a berma erosiva
Que corroi lentamente
A queda suprida
No desvaire que credita fé em ti

Estendo os braços para te abraçar
Entrelaçando os meus dedos nos teus
Segredo-te em surdina os nossos desejos
Ramificando gavinhas sob todo este penhasco
Fazendo da rocha terra fértil...
Metamorfoseando até a espuma da maré
No mais nobre nectar que alguma garrafa de segredos
Poderá um dia ocultar

... no tempo, na paz, e na fé

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

gratidão quem és tu?



Ansioso impávido e tranquilo
Adestramos o arrepio até num olhar
Desfolhamos os sorriso dos outros
Em paginas cor de rosa
Em satisfações soluveis num copo de agua

A porta abre-se e enfrentamos o mundo lá fora
Ao longe avistamos as sombras dos outros
Vestimos os traços, encaramos um ponto de referencia
E fazemos de conta...
Que a pressa anda de mão danda com a competencia

A prespectiva invade-nos como direito próprio
A razão capacita-se de discernimento e lucidez
O singelo e inocente ganham telhados sem estruturas
Na complexidade que buscamos
Sem algum dia sequer, saber tirar algum proveito da terra

A desorganização toma conta da inocencia
E a criança perdida na ingenuidade,
pergunta e aponta o dedo
ao vulto disforme que se aproxima oferecedo-lhe o regaço

Olá gratidão quem és tu?
Que ficas a olhar sob reflexo do espelho
para a figura cambaleante do mendigo
que se arrasta para mais um não na longa fila de carros
Serás tu gratidão?
Quando em natais valorizas o que ao longo do ano calas
Define-te lá tu gratidão...
Que apertas mais e mais o sinto á barriga,
que mingua ao ritmo da pulsação
Para que sejas gratidão é preciso reconhecimento de alguem?
É necessário que confessem o bem que se nos fez?

Eu cá sou criança e já só quero esclarecer a pureza que me foi roubada

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

poder da palavra


O som das ondas do mar
O grito da cigarra
O sopro do vento...
Nem tudo o que ouves dá para traduzir na palavra
Ao invés
Tudo o que não vês é romanceado na prosa

Do genero:

O amor e o ódio
...combinam bem na fonética
E por terem pólos opostos
Há quem diga que se atraem
A fé e a crença
... aliam um timbre que faz acreditar
piamente no pontencial interior
A morte e o além
... medos suavisados em voz baixa
na presunção de outras vidas mais

O vocabulário quando bem estruturado
Pode desorganizar os tecidos vivos
Admiro as formas que as palavras não revelam
Adorava ter dito muito daquilo que leio
E sem haver espaço para a inveja,
Se não, humildade na admiração
Assim vou eu, esticando a palavra

Nada é por acaso... nem o ocaso é apenas mais um puro e simples por do sol

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

há dias assim...


Há momentos em que o teu equilibrio não és tu
Momentos embriagados em que te deixas cambalear
Em que a alma se aborrece do corpo abatido
E se distancia...
Cansada da falta de primor que a orgânica da vida sugere


Tento vir á tona pegando na sapiência que me resta
E recuperar um pouco de acerto
Há dias assim...
Em que finges não saber a razão do erro
Por erradamente penares nesse desacerto
Há dias assim...
Aborrecimentos temporais providos de fragilidades momentaneas

De volta á superficie...
Atraio mais ar aos pulmões
E satisfaço de gasoso a parte pensante
Que segura a alma de portas abertas
Para que ela viva livre na satisfação
E não fique prisioneira de um corpo mal estruturado
O saber não é perfeito
Nem tu és defeito da perfeição

domingo, 1 de agosto de 2010

mundo de vidro


A pele seca com o sol
A alma mirra no afecto
A maresia vai e vem como as ondas do mar
Trazendo o sal da vida que tu finges não ver

A indiferença rouba o tempo que choras
Por abraçares de costas a existência
Por ousares ser omnipotente nesse teu mundo de vidro
...onde os olhares não alimentam o abraço que tanto anseias

Aprende a respirar enchendo mais os pulmões
Para que não vivas a meio gás
Os reflexos ilusórios das imagens
que se defrontam nesse teu universo

Quando a cegueira é imensa a verdade ganha formas na ilusão
Não alimentes essa quimera no desengano dos sentidos
Lembra-te sempre que a ilusão nasce de fora para dentro
Por o que se afigura ser o que não é

terça-feira, 27 de julho de 2010

luz oprimida


Se não acreditas no que os olhos te ditam
experimenta fecha-los
A tensão de olhar e de ouvir para surpreender o que se passa
Roubam o teu chão
Segreda em pensamentos o que te vai na alma
Avista os sentidos oprimidos... e dança
Aceita os teus movimentos nos contornos dessa tua musica
Escuta tudo aquilo que não ouves de olhos abertos
E dá a mão ao desejo para que te possa seguir bailando

Agora exprimenta traduzir no papel tudo aquilo que calas
Abre a porta do medo e salta o muro dos anseios
Canaliza a atenção no reconhecimento...
Rabiscando a vergonha que omites
E sente o arrepio na pele vindo sabe-se lá de onde

Tal como uma planta que nasce sem ser semeada
A lágrima ao declarar-se...
Ela é sincera
Ela é espontânea
Ela é salgada e brota da mesma nascente que nascem os rios que desaguam no mar

Tudo isto faz sentido...
Tudo é luz quando roçamos o arrepio num espaço intemporal
Tudo é luz quando de olhos fechados tocamos na vida

terça-feira, 13 de julho de 2010

COLETE DE FORÇAS


A angústia e a mesquinhez deram as mãos
Ávidas de fome trazem a justiça de trela ao pescoço
Sedentos de desejo, justo e o pecador fundem-se num só
E o sentimento envergonhado desaparece
Deixando o aspecto monetário demandar a ganância dos homens

Doutorados no martelo
Eles vão vomitando leis e artigos
Enquanto a arrogância batuca na mesa injustiças...
Magistrados na sensibilidade de umbigo
Penitenciam a sua bíblia de uma forma unilateral
Despachando e arquivando mágoas e traumas
Que os fármacos não auguram remédio
E ao longe o louco grita... Linhaaaaaaa!

Alucinado pela taluda

O cão foi libertado da corrente
A angústia e a mesquinhez
ficaram mais sós
E o amor não conseguindo ganhar ódio
Enraíza-se na terra
ganhando dor

Valha-nos a sanidade dos loucos
Vestir o colete-de-forças
Segurar a lágrima e controlar o sentimento
Que de envergonhado grita baixinho em si só
... Bingo

sábado, 10 de julho de 2010

substrato das qualidades


Tudo o que fica a mais de dois palmos é uma miragem
A percepção dos sentidos vai minguando ao ritmo da camada de ozono
Os detalhes vão sendo imperceptíveis, fora deste campo magnético
Abrir o fato espacial e levitar nesse lugar intersideral
É ganhar uma outra forma de respirar
É nele que me acomodo...
É neste universo que procuro a minha escrita

Gosto de escrever de lá para cá
Onde a olho nu não se chega
Gosto de me situar neste espaço
Onde não se está habituado a andar

Buscar no limbo o substrato das qualidades
Entender que para lá da linha do horizonte
Onde o sentido não chega
A ordem é uma floresta virgem
Sem ter sido explorada, ela é pura
Sem ter conhecido a malícia, ela é ingénua
Sem conhecer a culpa, ela é inocente

Ordeno tudo aquilo que compreendo...
A acepção vai ganhando formas
Organizar é querer…
Quando creio, eu amo

sábado, 3 de julho de 2010

REORGANIZAR


Programados para duvidar
Todos perdemos a confiança um dia
Desacreditados no acreditar
A vida jaze, serena e melancólica
Á espera que um dia a maleita nos contemple
E a sanidade que nos resta,
consiga dissipar o fumo negro que paira cá dentro

Criadores de um ser critico
Julgando de um modo fácil
Atirando pedras a toda a gente
Duvidando até da fome de um mendigo
Procuramos o sol mas é nas sombras que nos escondemos

Aperfeiçoamos a evolução da espécie com perguntas
Aprendemos a baralhar o sentimento
As respostas que trazemos em nós já nada valem
Com o amotinar de interrogações que semeamos diariamente

Seremos seres inteligentes como nos proclamamos?
Para quê evoluir se isso só causa desordem?

Regredir …regenerar…rejuvenescer…

Creio neste retrocesso

sábado, 12 de junho de 2010

meditar


É na estrada que a vida anda mais devagar

O carro vai tomando conta dos sentidos sem pedir licença
Projectando no espelho retrovisor imagens disformes
De uma vida sem passado

A meditação toma conta de nós
Cá dentro no habitáculo somos… só tu e eu
Despidos dos pés a cabeça
Chorando e rindo da estupidez quotidiana

Todos querem voar
Todos sonham neste divagar
Mas todos criam amarras
E ganham trela no seu cordel

Intuições…
Pressentimentos de verdade
Segredam na película
Agruras e crenças
Que são regateadas por o mais fino vendedor de sonhos

As peças do puzzle vão encaixando uma a uma
Sem haver necessariamente lógica… há encaixe !
Nem sempre melodioso
Mas sempre preciso

A sinceridade é como o vento
Que nos leva sem questionar

Como um balão que voa alto
Sem cordel que o prenda...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

hesitações


A noite traz a vontade que o dia oculta
O sonho ilude sem querer… o crer que,
a verdade segreda

Falar do amor do passado é ancorar no tempo
Falar do amor num futuro é arremessar o dardo do desejo
contra a linha do horizonte
Falar do amor no presente é transcendental …anterior a qualquer experiência
É um definhar em reticências de um sublimar que está para lá do desejo

Os olhos vêem á distância aquilo que a proximidade,
lhes oculta num gesto
Caminho atento as hesitações que sonego
Perco tudo no gaguejo de um olhar
…de um sorriso

Convicto do erro da indecisão
Dou os passos cada vez mais marcantes
nesta estrada de alcatrão que é a vida

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Posso cá ficar?


Posso saber mais de ti?
Posso saber mais do que,
aqueles que te vêm?
Posso também guardar os segredos da tua quimera?
Diz-me como dormes?
Qual é o espaço que cobres
em tua cama?
E para que lado te debruças
no teu leito?
Como respiras os teus sonhos?
Quantas voltas dás, até ao amanhecer?
Agora posso saber quantos cabelos deixas em tua almofada?
Posso saber como ecoa o teu dormir?
Deixas-me pintar assim os teus sonhos?
Posso tapar-te sempre que de noite os lençóis te escapem?
Deixas-me graduar a luz do amanhecer para que o teu despertar seja mais tranquilo?
Posso oxigenar-me com os aromas do teu quarto?
E ficar cá, posso ?
Desvendando assim...
Tudo aquilo que ainda não viste?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

como quem chama por mim


Vejo-te ao longe a sorrir
A vontade de te abraçar é premente
A angustia de não saber o teu cheiro
Hidrata-me o paladar

Faço-te adeus deste lado de cá
Tu olhas
Fixas
E não me vês
Mas eu sei que também me sentes

Aguardo a tua presença como quem chama por mim
Sereno
Na paz
Equilibras-me com a mão e puxas-me com o desejo

Mesmo não estando aí
Eu estou lá!
Presente na bruma dos sentidos
Acolá nos recantos do teu quarto

Dás-me força no teu sorriso
Eu sinto-o deste lado de cá
Inspiras-me na palavra
a dar mobilidade,
á articulação dos meus gestos

quinta-feira, 22 de abril de 2010

DENTE DE LEÃO


Voo alto de uma gaivota
Sorriso maroto de um petiz
Sopro de esperança num dente de leão
Dança de borboleta de flor em flor

É inebriante o amor adolescente
Onde num banco de um jardim
ou num passeio de uma calçada qualquer
tudo se transforma no leito…
Numa pluma de suavidade
em ninho fofo

O comodismo do adulto
está corrompido no arrepio
Já ninguém namora na rua
Já ninguém namora no canto de uma esquina qualquer
Já ninguém se afoga em juras de amor eterno

A coerência que se dá a cada passo
é como um xeque-mate
Em busca de holofotes,
de uma lógica mundana


Já ninguém arrisca amar
A regra do jogo é o comodismo
É a ganância!
Esta conduta é como o algodão doce
Que de algodão não tem nada,
e que de doce…
Até enjoa!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Lobo



Solitário como um lobo
Gosto de ser assim…
Inesperado como um arrepio
Profundo no olhar
Envolvente na respiração
Terno no trato
e doce no toque
Vibrante nas carícias
Misterioso por se alcançar
Gosto de me julgar diferente sem ter justificações para o ser
Sem haver matérias que me distingam
Sem haver amores que me iludam
Sou diferente porque sou…Sinto!
Dar vocabulário ao sentimento é criar uma linguagem única
É distanciarmo-nos dos outros e aproximarmo-nos de nós

Amor é a simplificação que a palavra não explica
É o condensar na forma de quatro letras o eco que na palavra não soa

Amor, é uma forma de ser...
De estar
É ir ao jogo sem ases
É arriscar
O meu amor é assim !
Não é feito de “facilitares”
Não é feito de uma forma British, de esmiuçar o sentimento

Respiro fundo e provo-me em mais um acto de engolir
As palavras ajudam-me a preencher, o muito que ainda não contei…
Fragmentos de sentido que traduzo num Braille meu
Dão luz ao caminho que as minhas mãos compõem

terça-feira, 13 de abril de 2010

Esta lá tudo


Esta lá tudo
Basta sentir
basta…
querer!

Esta lá tudo
a tristeza
a alegria
a inocência

Esta lá tudo
a lágrima k lubrifica
a cor que atrai
a chave que guarda o segredo

Esta lá tudo
Podes sorrir
vestir as mais belas cores
que o teu olhar não mente!

Alimenta-se do prazer genuíno e
das futilidade que o vicio contamina,
como roupa que já passou de moda
Esta lá tudo...

Faz dele uma arma, focaliza o alvo
como quem guarda um beijo.
Aprende a falar num olhar…
Não lhes dês avareza

Vivemos num mundo cada vez mais cego de ver
Vivemos num mundo cada vez mais deserto no sentir
Vivemos cá,
…e cada vez mais, com menos brilho!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

lendas do sânscrito


"...As antigas lendas do sânscrito falam de um amor predestinado,
uma conexão de karma entre almas que estão predestinadas a
encontrarem-se e colidir e arrebatar-se uma á outra.
As lendas dizem que a pessoa amada é reconhecida imediatamente
porque é amada em cada gesto,
cada expressão de pensamento,
cada movimento,
cada som e
cada expressão dos seus olhos.
As lendas dizem que a conhecemos pelas asas
– as asas que só nós podemos ver -
e porque deseja-la, destrói a vontade de amar qualquer outra pessoa.

As mesmas lendas advertem também
que tal amor predestinado pode, algumas vezes,
ser a posse e a obsessão de uma,
e apenas uma, das duas almas unidas pelo destino.
Mas a sabedoria, num certo sentido, é o oposto do amor.

O amor sobrevive em nós precisamente porque não é sábio..."

Shataram - Gregory David Roberts

domingo, 11 de abril de 2010

Onde a ponderação faz sentido


Sem pressa de chegar, abraço-te na curiosidade de te alcançar
Sem metas para atingir, iludo-me na vontade de te ver sorrir
Há momentos em que o silêncio canta
Gosto desta melodia !
Gosto de julgar que também escutas
Envaideço-me imaginar que também pensas em mim
A palavra faz sentido quando alcança a lógica das coisas
Sem planos nem artimanhas, voo planando
Lá bem ao fundo…
Onde a linha do horizonte me abraça
Onde a ponderação faz sentido
Onde o meu sentido és tu

quarta-feira, 31 de março de 2010

Lado B


Há pessoas que evoluem
Há outras que estagnam
E há ainda as que se arrastam

As que estagnam são aquelas que já não querem ou não tem capacidade para aprender
“Uma pessoa só é velha quando deixa de aprender”
Os que se sentem privilegiados com um cargo,
os que ordenam não tem uma visão tão alargada das dimensões do saber
Para quê aprender quando estou com o poder?
Raramente gostam de estar rodeados por "Sábios"
Dá-lhes desconforto
Perguntem aos políticos, para aprender
Isso é uma afronta para eles!
O cidadão Português mais capacitado para o cargo de 1º ministro é este?
Não é!
Mas para vivermos dentro das regras
É!

Há os que se arrastam, emaranhados até aos cabelos pelas leis
Diz um miúdo de 5 anos, para a mãe:
Miúdo- Ó mãe já não quero ser policia
Mãe- Então meu filho que queres ser?
Miúdo- Ladrão!
Aos 5 anos uma criança já sabe que para ser ladrão basta estudar
Saber as regras do jogo, porque a vida de policia é uma “merda”
As pessoas normais funcionam assim, como autómatos.
Procuram na riqueza o “lado B” da vida
Mesmo que consiga extorquir dinheiro ao Estado, aos pais, ex marido, á Empresa onde trabalha….mesmo que não tenha razão, que interessa?
As leis são estas…porquê não roubar?
Preservar a inocência, para quê?
Cada vez mais a inocência é roubada á….nascença.

Há ainda os que evoluem
Os que fintam o materialismo
bebendo e aprendendo todos os dias, da essência
Trocando a desinformação funesta pelo essencial
Queiram-me desculpar mas vou dar este assunto como inacabado
Pois o saber é algo que não vem servido e arremessado numa bandeja
O saber é algo que se aprende com simplicidade
É algo inacabado sem qualquer tipo de vaidade
É algo a salvo da idade escondido dos piratas do século

segunda-feira, 15 de março de 2010

Desinformação


Nascemos ensinados e vivemos enganados
A medicina está longe de descobrir o antivírus
para a desinformação que nos enferma

Nascemos com o essencial e vivemos com o supérfluo
Torturados com tantas ilusões, incertezas e falta de fé
A única certeza somos nós
…e cá dentro há tanta duvida!

Na hora de aflição, apercebemos que
o "flache back" que a vida nos dá
é o filme mal aproveitado das horas não vividas

Morremos enganados por nós próprios
Duvidando da fé, das ilusões e acreditando que
Se houver outra oportunidade eu serei "mais eu"
Pois quem eu sou, nunca o busquei em vida

O que eu sou, é o produto da informação
que a memória esgota
O que eu quero ser é desinformação…
Para que mais uma vez volte a olhar
pela íris de uma criança

sábado, 6 de março de 2010

Despertar dos sonhos


O dia flui e o tempo teima a entranhar-se nas artérias,
queixando-se por minutos…
Rasgo certezas e construo duvidas, com a eloquência de quem cega…para apurar o sentido
A minha vara é o arrepio que me conduz

A opção faz o sorriso de uma cara feia ser atraente
Os olhos lavados do sono serem belos
As palavras materializarem o desejo…
Não tenho pretensões de arranjar respostas para tudo
A vida é um jogo e a incógnita é certa
Não mato o tempo na ilusão de o explicar
Viver agarrado ao tempo é não satisfazer as ilusões
È hibernar de olhos abertos

Sentimento,
é o vazio que não se quer mostrar…
Desilusão,
é a verdade que se tem vergonha.
Sou um sonhador…
Gosto de divagar no limiar do impossível, e crer que sou alguém muito diferente do comum dos mortais
"o prazer não aceita desculpas"
O meu sentido desperta dos sonhos