quarta-feira, 28 de março de 2012

Coragem e Imaginação


Vou-me vestir com a palavra
e despir as horas
da minha roupa
para que a solidão
não seja uma eternidade

Vou colorir as nuvens
e apagar
o negrume da minha sombra
Para que os dias
não sejam sonhos
que a noite esqueceu

Vou-me alheando em lembrar
de tudo aquilo
que me apoquentou
Para que num amanhã
me molde com o acerto
Do melhor que em mim ficou

Coragem e imaginação
é tudo o que nos distingue

domingo, 25 de março de 2012

Um todo parte de mim


Há dias que sou um todo
de um nada que há em mim
Um sol incandescente
um todo ausente
a uma carência de ti

Tem vezes que sou assim
Um todo parte de mim

Tem dias que o sou
por teimosia
Tem outros que sou...
Só porque sim
Só porque me esqueço
que viver atado
a regras
a um passado
Não é o que mereço
Não faz parte de mim
Desta vida
cansada e poetizada
Sem uma lógica
inteiramente acertada

Por isso escrevo
Respiro sem duvidas
E visto-me do avesso
Porque há dias assim
Em que me sinto
Um todo parte de mim

Repressão democrática


Ata-me com a regra
e instiga-me o medo
Para que a sombra do receio
seja maior que um passo
Chicoteia-me devagar
até não poder mais
Sodomiza-me
a teu belo prazer
Até o sangue coalhar

Reduz-me de autonomia
o pensamento
Para que o sol seja frio
e a chuva se alheie do vento
E que confuso
pare de buscar informação
na coragem
"bela adormecida"

Democraticamente
vandalizados da realidade
segue o povo sofrido
Cansado, humilhado...
mas ainda assim
convencido
Que a essência da vida
jámais será esquecida
No espaço Anárquico
que um sonho contempla

quarta-feira, 14 de março de 2012

BOLHA DE SABÃO



Presente...
Imediato...
Instante...
Momento...
Tão fugaz
Breve
Efémero
e transitório
Tão passageiro...
Tudo é tão ínfimo e insignificante
Quando um nada se envolve num
todo o quanto se perdeu

terça-feira, 6 de março de 2012

Alucinação


Encontrei-me com a lua
solto num chão
de mármore
Preso
pelo o cordão
umbilical
que me alimenta
a carne...
Dispersa
Na ilusão
que a minha casa
é aqui neste chão
Leito onde me deito
enrolo e me calo
Num turbilhão de emoções
que não cabem em mim

De quando em vez
toco no tecto
Sem sair do chão
Na loucura
de visitar o incerto...
Imensidão
Essência carnal
que me faz tanto mal
quando o sabor
a sal...
É ausente
De um gosto coincidente
À distância
que me rasga de ti

segunda-feira, 5 de março de 2012

Sonhos


Sonhos
são ideias gravadas
no enclave da impressão
nas palmas da tua mão...
Que se difundem
no infinito
Sempre que cerradas
com vontade de definir nas veias
o fluxo de um grito
Ensanguentado num mar venoso
que de um oceano não tem medo
...de se afundar
De se descobrir
e ousar
atitude em todas as formas de um seu pensamento