terça-feira, 18 de novembro de 2014

FLAGELO

Ao longe avistei um vulto em bicos de pé, que se debroçava sem contemplação sobre um caixote de lixo em plena luz do dia
A agonia atingiu-me "deste longe" a fronte, e sem ponderação abri a carteira... Quinze euros para ajudar uma pobre mulher
Respirei fundo e logo a moral tomou conta dos meus gestos, que para ser honesto e preciso para comigo apenas peguei numa nota avermelhada e encaminhei o passo em direcção aquele "quase nada" de gente, de cabelo desgrenhado e de olhos perdidos.
"Não me leva a mal se lhe der esta nota?"
Ela olhou para mim, sem saber o que me dizer
Estendeu-me a mão e desviou o olhar... "Obrigado senhor"
Virei então as costas à vida e mergulhei no meu mundo, neste meu lugar profundo onde ouso ser um pouco mais que alguém... Banal e tão igual a tanta gente
A sós com a palavra atirei-me à sentença, e mesmo que a verdade nem prevaleça, quis escrever o que o momento me intuiu

O maior flagelo do mundo não é a ganância do homem
O maior flagelo do mundo é a esperança dos oprimidos


Sem comentários:

Enviar um comentário