terça-feira, 30 de agosto de 2011

Lágrimas


Num espaço absoluto e infinito
Abraçaste o teu pai
Com a vontade de um grito
Dizendo-lhe num abraço eterno
... e bonito



PAI... TU ERAS O MEU MELHOR AMIGO

Sob uns óculos escuros ignorantes
A lágrima escorreu-me do rosto
Denunciando sob um "óculo posto"
Uma lágrima derramada...
Que me acusou num quase nada
O quase tudo que sou

Rendido revelei ao mundo
A minha tristeza
Assomando com clareza
A minha vontade de gritar
Expressa numa lágrima
Capaz de me denunciar

A lágrima que lava o rosto
Busca no seu leito
Os caminhos da verdade
É ela que pincela um olhar triste
E aguarela o choro da felicidade

O sentimento fica tão despido
quando a palavra é filtrada
... e amada
Na afeição de um gesto
Que o frio que de intempestivo
Torna a tristeza abençoada
De uma lágrima chorada
Num acto controverso

Fica sempre tanto por dizer
Fica sempre tanto por contar
Fica sempre tanto...
Quanto num pranto fica por chorar

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Serenata de improviso


Fiquei deste lado a imaginar
Sem que de fotos fosse preciso
Contemplar com exactidão
A magia desse teu sorriso

Foste mais fundo na ficção
"do sonhar é preciso"
E compus esta canção
Serenata de improviso

És delicada no movimento
De quem sabe aquilo que quer
És magia do homem que sonha
És um sonho em jeito de mulher

Desde logo senti que o eras...
Apelidei-te de perfeição
Hoje deste sentido à palavra
E deste luz à minha razão

Dizem que a perfeição não existe
Hoje vi-a por aqui a passar...
E há pouco toquei na vida
com vontade de a agarrar

Levo-te comigo para os sonhos
Um sonho difícil de ser vivido
Levo-te no futuro e no presente
Com a ilusão... do "podia ter sido"

Para todas as "perfeições" do mundo
Só há uma de mulher
É aquela que nos dá a mão um dia
E à noite é o corpo quem nos quer

Se a perfeição existe ou não
Quem sou eu para o julgar
Mas a perfeição deve ter um tempo
Um espaço e uma forma de se manifestar

sábado, 20 de agosto de 2011

O som da palavra


Ninguém rouba o som à palavra
Apenas a escrita propaga esta penitência
Ocultando a fonética
e esticando a razão

Tocar alguém com a palavra
É como beijar de olhos fechados
Difundindo a compreensão
Na noite que o dia não vê

É num abraço
crer para lá de um verso
Que acolhe perverso
a ausência de uma rima
É folha que baila no ar
Ao ritmo de uma página cifrada
Que a todos toca
...num quase nada
Sob diferentes melodias

Compor a palavra
É dar sentimento
à lágrima que salga o rosto
É dar paladar
ao verso com odor a gosto
É dar nobreza à voz
que cala um tempo
E manifestá-la
Na espontaneidade do traço
A sagacidade de um só momento

domingo, 14 de agosto de 2011

Melancolia


Curiosos...
movem seus corpos vazios
Desejosos...
seguem despejados ocos e incompletos
Impacientes...
Preenchem a ilusão de um espaço
Com mais estrelas do que num céu pontificam

Verdadeiros
Julgam-se diferentes entre “iguais”
Melancólicos
Apelidam ao estado de alma
Por não admitir
A condição vazia em que se encontram

Melancolia não é um estado de alma
Melancolia é um estado vazio
É carência consciente
Na tristeza do ser

A alma apenas persiste
no domíneo das ideias
Num estado vazio
Para ser "muro das lamentações"
De tanta contrariedade

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Verdade


Catedráticos do conselho
Todos ousam uma verdade
Catedráticos do conselho
Todos procuram aos 7 ventos
Resposta para tanta contrariedade
Catedráticos do conselho
Todos "pirilampeiam" segredos de cauda fundida


A verdade...

A verdade
é mentira num amanhã serpentiante
A verdade
é segredo que dorme no fundo da orelha do elefante
A verdade
É uma mentira a longo prazo
na ignorância contínua de uma vida sabida

A verdade sem entoação
é um mas...
A verdade escrita
é um se...
A verdade é verdadeira
quando se oculta nas melodias de um búzio
e nos leva a viajar na espuma flor de sal
Em vagas perdidas de uma onda em alto mar


De olhos fechados desperto os sentidos
Da ignorância do ego
Do prazer do arrepio
Da informação desconexa

De olhos fechados vou mais fundo
tocando no acerto
Mantendo-me desatento...
Vou mais fundo na minha atenção

A verdade é uma dúvida "sabida"
...e sempre no sempre, mal respondida

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mi vida


Quando em meus braços
Surgiste bebé
E olhaste para mim
Num ápice estalei
Num clique evoluí

Desde logo...
Fui pai
Fui tio
Teu irmão e teu avô
Hegemonia delirante
Quis ser...
O todo num só!

Batizaste-me de papá
Nomeei-te de Catarina
E logo aí entendi
Que o amor por ti
Seria a minha sina

Não te vi crescer
Chorei
Não te vi brincar
Envelheci
Corri mundo
em prol de um objectivo
Trabalhei todos os dias
em prol de ti

O meu amor por ti
É tão simples...
Que a simplicidade não confere
O meu amor por ti
É tão puro...
Que a pureza não produz
O meu amor por ti
É tão verdadeiro...
Que a verdade apaixonada
Ainda assim não o traduz

No tempo a distância nunca serena
O que a verdade não duvida
Hoje és menina criança
E serás no sempre
A mulher "de mi vida"

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Noite


Um dia será dia
Quando da noite não tiver medo
Um dia será dia
Se nas manhãs da noite ousar em segredo

Um dia será dia
Sob um céu nublado
Se ao caminhar pela chuva
A vontade se aninhar a meu lado

Um dia será dia
Quando do sol já não precisar
Oferecendo a cara exposta
Sem receios de a queimar

Um dia será dia
Quando no ocaso descansar
E num final de jornada
Em teus braços me agasalhar

E num crepúsculo...

A noite será dia
Na manhã de um dia qualquer
Na forma curvilínea feminina
No teu corpo sexuado de mulher

A noite será dia... um dia
quando no escuro em ti tocar
clareando um amanhecer
Num brilhante despertar

A noite um dia será...
Até ao poente de um sol pôr