domingo, 29 de janeiro de 2017

JOGO DAS EMOÇÕES

"Sabes o quanto te amo!
...Tanto."

Ele olhou para as palavras, descordenadas dos seus sinais de pontuação, e de imediato, elaborou a resposta com a seguinte pergunta:

"Sabes-me quantificar o quanto?"

Os sorrisos rasgaram-se...
Com a resposta a ser escrita num ápice cheia de vontade para não largar esta sintonia, tal era a melodia da efervescência do fundeou do jantar e a graduação do vinho que no paladar já se fazia sentir 
 "Tanto !!"
Rubricou ela nesse instante num papel rectangular, para dar ritmo e veículo à mensagem neste jogo das emoções.

"O tanto nunca foi quanto para quantificar ;-)"

Entregando-lhe o papel de seguida elaborando um smile de um piscar de olhos, insitando-a assim a ir ao fundo para completar o diálogo

"Sabes quantificar o meu tanto?"
Respondeu ela por fim
Ele bebeu o copo de tinto e para finalizar repondeu-lhe assim:
" Só sei quantificar a sonhar, pois é assim que me deixas a levitar, sempre e sempre, quando te alcanço"

A lingerie, de lá até aqui, ficou espalhada pelo chão, um rolex e um iphone foram atirados ao acaso para cima da cómoda, a cama redonda fora arredondada ao extremo e no tecto agora reflectidos e alcançados num espelho, projectava o sereno dos corpos abraçados por inteiro, adornando a decoração de um quarto em tons de vermelho, algures na periferia da cidade. Onde já alta e tarde a madrugada se vestia, com o dia daquela manhã já a espreitar, para ser igual mas tão diferente na vida de tanta gente que nunca ousa escrever o que sente, num simples guardanapo de papel, com tanta certeza nem com tantos pontos de exclamação.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

BENEVOLENTE


O prazer não precisa de se auto proclamar
Precisa apenas de existir, existir a sorrir
Até abraçar
Até se assumir
Para criar noutro lugar, um espaço
Um sorriso que não é o seu

Entendes agora as vezes que eu fico acordado até mais tarde, ao teu lado, a contar - te histórias, até adormeceres?

Dar é a melhor forma de sentir
E sorrir é a melhor forma de semear prazer

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

EXTRACTO DA DOR

Há dores que incomodam sem doer
Há vidas que se arrastam sem viver
E há um azul do céu que nos faz crer que há tempos para lá das suas constelações 

A realidade é uma dor que não dói mas que corroi a imaginação
Por isso a poesia é tão palpitante
Com uma direcção tão plena e inebriante, de possibilitar abrigo ao apetecido dos gestos

Se o mar hoje, não beijar a terra e se o céu  lá em cima não for o tecto do dia para nos abrigar o que será do amanhã quando a nortada da dor, em seus ventos nos castigarem ?

ORAÇÃO DIVINA



Osa-me nos sonhos
e treina com afinco
Há tanto contentamento guardado naquilo que sinto
Que todo o prazer
é dificil de alcançar

Apareceste-me assim a rasgar o  sonho
Oração divina
Como uma sina que se espera desde sempre
E nesse instante de repente
Deste-me a provar os dedos ainda salgados
dos segredos molhados recolhidos do néctar do teu ventre
Voltando a chupar de seguida o anelar e o indicador
Sorrindo...
 Proferindo de novo ao meu ouvido a mais bela e linda oração

Osa-me nos sonhos
e treina com afinco
Há tanto contentamento guardado naquilo que sinto
Que todo o prazer
é difícil de alcançar

O ar do quarto de imediato
humedeceu
A carne ruborizou
Ferveu
Todos os poros do meu corpo naquele instante
Foram teus
Toda a emoção disperta na oração
Foi a ti veneranda
Como mais nada até aqui fosse importante
E assim militante da tua sedução, viajamos...

E dos beijos aos arranhões
Das posições sutricas às provocações
 provámos ás articulações
Que as impossibilidades são meras metas para se superarem
Arriscamos!
Valorizamos tanto os contornos do desejo
Que a possibilidade de abrir os olhos foi posta de lado
Cerrando as pálpebras a esse desfecho
Mergulhando a fundo
Fomos a jogo!
Entramos nesse fogo a arder em suor
Montamos os corpos até lhe amansarmos o impeto
O ardor
Galopando dimensões com tanto rigor
Que fomos donos e senhores
das rídulas de uma só sina

(...)

Ofegante acordei
vindo à tona
a trautear a oração
Desejoso que um despertar me apontasse o destino
O caminho dos meus passos na escuridão
Onde distante é o limite no emaranhado dos sonhos
E plena é a razão nas manhãs de um despertar

"Os receios e os medos sempre foram os segredos de tocar no que procuras"
Cuspiu-me esta frase o pensamento 
E sem direcção debrucei-me da cama para o chão 
E de joelhos invoquei o verso da oração que comigo ficara decorado do sonho


"Osa-me nos sonhos
e treina com afinco
Há tanto contentamento guardado naquilo que sinto
Que todo o prazer
é dificil de alcançar"


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

ARREPIO

Aparvalha-me os instantes

E entrega-te a mim da maneira mais analbeta possível 
Onde as palavras não sejam mais que gatafunhos
E os desenhos a lápis de cera, do sol, da casa e do arco íris sejam puras carícias, no toque inocente das tuas mãos, agora cheias de malícia...





domingo, 15 de janeiro de 2017

POST-IT

2017 chegou...
E com ele a quadra Natalícia ficou para trás, as
vestes do ser altruísta ficaram espalhadas pelo chão, os desejos e as metas não cumpridas acabaram mesmo por ser cumpridas, tão cumpridas que virão, virão inepterruptamente em mais um, e um, e outro, e mais um, e outro ano. E como se não bastasse o número de passas já comidas num passado, para invocar os desejos, no imediato presente, acabará mesmo por realizar-se a sempre e mesma tradição.
A quadra Natalícia a ficar para trás, as vestes do ser altruista a ficarem espalhadas pelo chão e os desejos e as metas não cumpridas a  acabarem mesmo por ser tão cumpridas que virão, virão sempre, ano após ano, para que em cada novo ano não restem dúvidas, que tudo e mais tudo acabará um dia por vir a ser repetido...um pouco mais do mesmo... ainda que o pensamento nos diga por dentro o contrário e a ignorância do lobo solitário, creia que não.

Resolvi este ano quebrar a tradição, e num post-it rubriquei os objectivos a atingir, colando o lembrete bem de frente ao quotidiano do foco da minha atenção. Para que na porta do frigorífico consta-se de Janeiro a Dezembro a direcção, o rumo a dar e o transporte a apanhar, seja ele por terra, por mar ou pelo ar o importante será sempre chegar a tentar. Mesmo que para isso, apenas tivesse tentado, tentado em não cair na tentação de me esquecer de brincar, e representar no espaço, todas as formas que há em mim

Desejar é o inicio é o meio e é o fim

sábado, 7 de janeiro de 2017

GEOMETRIAS DISTINTAS



O coração e a razão só não se combinam na perfeição, porque não rimam...
Pois até para rimar é preciso haver harmonia nas suas formas.


Se não tens fé, não te percas por divagações
Pois até para sonhar é preciso saber levar a emoção

...

Agora abraça-me

empresta-me a tua mão

e dá-me a provar o descanso

para lá desta dimensão 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

PAIXÃO ARDENTE

Vives dentro de mim,
como um sol que aquece o dia,
e nunca se esquece  de contemplar um despertar
com os seus raios de luz.
Agasalhas-me sabias?
És a paz que seduz o meu viver
És razão
És a alegria
És o meu sabor
És a essência de mulher que todo o homem sonha e queria,
e que só os predestinados como eu... que no alto da minha ignorância se sentem únicos e especiais...
são contemplados na lotaria,
quando a aposta é uma ridícula ninharia para te ganhar,
e para te ter
Já te disse que me agasalhavas?
Já te disse que acalmas a sinuosidade do monte escarpado da minha atrofia?
Já te disse o quanto eu te queria, nos momentos em que sou incapaz de te dizer, o quanto eu te quero?
Amo-te sabias?
Vives dentro de mim como um sol...
Esta, acho que já te tinha dito,
mas como não sei outra forma de te amar,
eu repito,
sem reflectir,
eu digo-te, o quanto eu te amo.
Mesmo não sendo original,
eu envolvo-me com as palavras, para que elas sim,
sejam elas e só elas a prova cabal, do quanto eu sempre te quis, e do quanto incapaz fui criança e aprendiz, para te dizer e quantificar, o quanto...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

QUANDO O AMOR ACONTECE

Quando o amor acontece, o teu projecto de ti
desvanece, e tudo o que era tão certo antigamente, fica lá atrás guardado como uma semente que não se esquece, de buscar apenas o necessário e o sustentável para grelar.

Amado ou apenas contemplado de esperança, o amor crava-se na carne e no alado espiral da bonança. Dando aos afortunados semblantes risonhos e cria ignorância aqueles que tristonhos tem a ânsia de ver realizados projetos sem tectos para que os sonhos por fora possam fluir.

Há aqueles predestinados que têm a sorte por se conjugarem de caras desde o inicio
Há deles eclécticos que facilmente se mutuam noutros beijos
E há os insatisfeitos, que não correspondidos deliram de anceio, de ver realizados na garganta os seus devaneios, de saciar uma sede que pulsa descontroladamente.

Quando o amor acontece há um impulso que obedece à oração, há uma chama que queima se não lhe dermos a devida atenção, há uma frequência a potenciar o pólen na essência dos beijos, e há um caminho a desfolhar-se em espiral ... a trilhar... de encontro ao desejo, onde homens e mulheres de mãos dadas são crianças encantadas, a brincar ao viver

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

SEDUÇÃO



A maior traição do homem é construir grandes  monumentos sem haver verdadeiramente intentos de os habitar

Seduzir  é a pior forma de trair...
Se não houver intenção depois de abrigar


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O QUE ÉS TU AFINAL

Tu não és tu...
Tu não és o cru do teu interior
Tu não és um sr. ou uma espécie particular de doutor, que é exímio das pertuberancias de ti
Tu és não és assim...

Tu não és tu
Tu não és aquilo que pensas
Tu não és, tão pouco, do pão ou do miolo com que te alimentas
Tu não és o ADN ou uma semente que vira folha perene, que por ti rebenta, e apodrece, o que amorteces no palato da tua bouca

Tu não és tu
Tu não és os sonhos que te assomam da dormência do sono 
Tu não és na métrica as convicções, as angústias, as frustrações...
Tu na realidade nem és o teu dono
Tu não és tu

Tu não és tu
Tu não és a ausência incredula que por ti tanto choras
Tu não és a tolerância da espera, que dizem "os entendidos", que fica bem ou que te abona
Tu não és aquele convicto, de que, o que não tens seria o antídoto, para chegar à parte de um todo
Tu não és assim!

Mas que raio tu és a final?
Creio que nem és a moral, na sua mais fina flor, nem tão pouco o ético seja ela a razão qual for.
Mas na certeza porém és alguém, imensamente incompreendido, uma espécie de ser entre um todo absluto e o insignificante relativo, com mais tempo real do que um verbo no presente do indicativo, seja nele quais forem as suas conjugações

Não te procures, deixa acontecer
Só assim és um pouco mais, no final