domingo, 21 de maio de 2017

ROTAS

Nós não somos fracos nós somos urbanos
Nós não somos exactos nós somos o ângulo de uma esquina
Nós não somos sustento nós somos alimento da terra
Nós  não somos morada nós somos o alcatrão das estradas, sem sina

Vamos desafiar-nos ou ficar a prepectuar na direcção de erramos a rota da nossa ida?

sábado, 29 de abril de 2017

TACTO

Ter ciúme é amor?
Será que o amor se abala por ciúmes?
Haverá substância no ar que valha para se ignorar as batidas do coração ?
Ou será o ciúme uma falta de liderança, de exatidão com contornos de fraqueza, para domar bravios e perversos pensamentos ?
Uma coisa é certa...
No ar acabam-se sempre por apurar aromas, emoções, receios, factos, ilações, azedumes, energias, pulsações...
Inconcludentes é certo, mas perceptíveis de os poder sintetizar.

Já diz o ditado "o maior cego é aquele que não quer ver"
Eu apenas acrescento...

O maior cego é aquele que não quer ler, por no tacto não querer confiar

segunda-feira, 17 de abril de 2017

FiM

Sozinho no mundo é como te sentes no segundo, em que tudo à tua volta é inerte à tua dor.
Sem colo e sem guarida, sem um olhar companheiro, sem o conforto, até, de uma despedida, sem a ternura de uma mãe, esse amor tão verdadeiro, sem ar só com a dor,  sem motivos nem álibi  para poder continuar, sem afecto sem cama nem tecto, sem a paz de um regaço para o corpo poder descansar, sem ar só com a dor, sem argumentos nem vigor para que os sentimentos agonizados por dentro, possam por si só, de si, por fora aflorar. 

Enquanto não tocas com os ossos no chão, és dono e senhor dessa tua sina, reagindo precipitadamente aos impulsos da suave e tão doce ilusão... essa neblida.
E vais atrás das emoções não medindo o timbre das pulsações nem dos apelos
Acordando sempre tão fácil de mais, preocupado apenas e só, com o emaranhado da ponta dos teus cabelos.
Não és grato de facto pela comida que diáriamente reveste o teu prato, adormecendo - te a fome.
És sem sombra de dúvidas um ser cada vez mais disforme
Um homem longe da equação matemática de ser verdadeira
Uma incógnita
Um número
Um ponto
Um X
Uma sombra atabalhoda e preplexa, sem matriz 

Uma espécie de gente vergada a cambalear por aí ...
Uma alma moribunda, penada, sem rumo e sem estrada, desfigurada das promessas não compridas em torno si.

Aprende a dizer adeus!
Para que um passado não te deixe atrelado a uma esperança luzidia.
Aprende a dizer adeus!
Só assim é que a melancolia não será dona e senhora desse teu espaço 
Aprende a dizer adeus!
Para que um final traga-te realmente o desembaraço e um pontinho concludente,  bem vincado, em cima e no meio de um f(i)m.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

AMOR ANIMAL

Amor de pai é como o amor de cão
Não há chão onde ele não prolifere...
Nem razão nem argumento nenhum para que o sentimento pontiagudo em forma de cauda, possa um dia por dentro embrutecer, esmorecer e cessar, "de dar, dar e dar"

quarta-feira, 29 de março de 2017

TEIMOSIA




As dúvidas não inflamam o homem,
o que o inflama são  as certezas da sua demência

segunda-feira, 27 de março de 2017

INQUESTIONÁVEL

Como não pensar em ti se a tua imagem está colada
na minha...
Como não pensar em ti se o teu cheiro continua entranhado na minha pele...
Como não pensar em ti se o sabor da minha boca tem o gosto dos teus beijos...
Como não pensar em ti se és sempre  tu o meu desejo na arte de me agasalhar...
Como não pensar em nós, sabes me dizer?

By F.C.

sexta-feira, 24 de março de 2017

TOPAS ?

Vamos fazer uma loucura?
De um lado e do outro ouviram-se as comportas das narinas a inalar fundo.
E sem que a resposta dela chega-se a tempo, a convicção assomou-se do peito e falou mais alto, sem demandas, rematando acertado...
Sabes quantificar a velocidade do nosso gostar?
Do outro lado da linha a respiração continuava a alimentar entusiasticamente um sorriso de orelha a orelha.
Por nós, és capaz de pôr "prego a fundo"?
Precipitou - se ele de novo a interrogar,  com base na linguagem não verbal, com que, ao seu ouvido apurado ia chegando.
Queres fazer um teste?
Desta vez o sim dela veio antes de um pensamento, e com tanto "i" conclusivo, que o fez por fim desvendar-lhe o suspense, na seguinte conclusão.
Daí até aqui há uma distância que nos separa, contudo temos sempre nas nossas mãos a velocidade de encurtarmo o mundo, sabias?
O que te proponho na realidade será corrermos até percebermos qual dos dois chega primeiro até nós, bastando para isso depois, perceber a distância percorrida, após, o choque do teu eu com o meu tudo.

O que se passou a seguir não sei bem descrever, mas dizem aqueles que os viram a sair dos seus respectivos carros, de um lado e do outro ao longo daquela ponte a correr, de que, nunca tinham visto uma prova de amor tão real, um acto distinto de todos os outros, sem igual, com um final tão acertado, apoteótico e a condizer.

P.S.
Numa prova de amor só há vencedores e quem diz o contrário é porque de facto nunca correu