quinta-feira, 20 de julho de 2017

"VOU" DE BORBOLETA

Bem sei que as borboletas são frágeis e que têm uma
vida bem curtinha.
Sei também que têm um espírito selvagem, que são gulosas e que têm uma curiosidade solta, do tamanho da minha.
Sei que voam por aqui e acolá por entre os aromas e fragrâncias que deus lhes dá, à procura do néctar das flores, enfeitiçando-se e enamorando-se por aquela, que singela, tem a particularidade de lhe conferir a esperança.
Contudo, quando se apaixonam pela planta não há quem lhes tire da garganta o sabor do mel, que um dia a fez acreditar...

Agora sim tenho - te no meu paladar.
Agora tenho a certeza que vou voar para sempre dentro de ti.
Vou ser para sempre a mais persistente, aquela que de entre tantas quis ficar a pousar aqui e ali, nas flores desse teu jardim.
Nunca te vais esquecer de mim, agora só tens que me levar para todo o lado, pois eu já moro dentro de ti.
Só tens que fazer uma coisa para tudo isto funcionar e eu continuar a borboletear nesta magia de ser tão feliz.
Tens que todos os dias caprixar e nunca te esqueceres de cuidar, tens de dar sempre muita atenção e porque não até falar com elas, tens que as regar, regar e voltar regar prometendo - me uma coisa...
Trata sempre e muito bem das flores do teu jardim.

Assinado
Borboleta

sábado, 15 de julho de 2017

ABRIGO

Nunca abrigues ninguém a um espaço
desabrigado,
onde de ti não és só teu...

Sabe que,
é sempre melhor descansar solto e só do que dormir acompanhado, 
a um corpo frio, triste e dezimado 
por um passado alado e surreal da esperança 

Já fizeste as pazes com o passado?
Se a resposta for afirmativa, abre-lhe a cama e deixa-o (a) abrigar-se a teu lado.
E se no apego das emoções o quarto de noite ficar salgado
Sabe que,
haveram sempre nas manhãs motivos para correr e querer chegar, de volta do trabalho, depressa a casa...

Ir para a cama cedo pode ser o segredo da eterna juventude

sexta-feira, 7 de julho de 2017

MI PRETA

"Hoje o meu desejo é dar-te um abraço bem
apertado do tamanho do mundo"
Abriu - se um silêncio por entre os nossos olhares, e sem sorrir perguntas - me assim, depois de me ouvires, descontente, com este meu carinho carente que te suou a tão vagabundo
"Porque não, um beijo?"
Perguntaste-me tu, ao que eu respondi :
" Um beijo não, um beijo roubava-me a atenção... Hoje quero-te agarrar todinha sem te deixar escapar do raio da minha visão."
Os vértices da fina linha horizontal da tua bouca cresceram, afunilando minuciosamente duas covinhas ás expressões do teu rosto, mudando uma aura magicamente de quadrada para uma cada vez mais flexível.
"Se te desse um beijo os meus olhos iriam falhar, iriam se fechar, iriam ao escuro... Hoje, és toda minha, hoje vou ser a criança mais perversa e egoísta deste mundo, não te vou dar chance nenhuma, nem um segundo que seja, não te vou dar a mínima  possibilidade de fugir aos meus olhos...quero-te aqui em bruto, todinha, presa no meu olhar, para quando à tardinha a noite chegar tu possas para sempre cá estar reflectida, para realizares os meus sonhos. Assim posso ter a certeza que te encontro sempre no fundo de mim, nesse reflexo cristalino com que te espelhas omnipresente nas águas da minha fonte "
Sorriste convicta com a simbiose da explicação
E para rematar disse - te assim:
"Agora abraça-me com tudo, e deixa que o silêncio resvale por entre as artérias da nossa convicção"


domingo, 2 de julho de 2017

SONEGAÇÃO

Um amor não se acaba apenas se renova...
Combinaram sair da relação  devagarinho, não fosse o sentimento se aperceber e se amedrontar com o pensamento de ficar sozinho, ali ou em outro lugar.

Deram ao destino novos rumos, outros caminhos, novas oportunidades outros ensinos, capacidades de alcançar novos trilhos, moradas indecorosas de um corpo poder descansar

Refinaram realidades inoportunas
Desafiaram dimensões a solidificarem-se
Resgataram desejos a reerguerem - se a "amonstruarem-se" 
E cientes um do outro que o amor ainda hoje não se acabara, continuaram a sua saga, indiferentes, sabendo que um passado não se esgota nem se disfarça, por entre os dentes, quando carente é sempre e sempre o sabor daquele beijo que abastece as subtilezas de um palato amargurado

Um amor não se apaga apenas se renova
Pondo-te à prova nas 24 horas do dia

E sob esta melodia viveram conscientes que aquele que sonega aquilo que sente já mais encontrará no presente a sua morada, o seu caminho, bem como o destino a dar à sua direcção.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

DESERTIFICAÇÂO



Se amanhã eu nada for

e insistir em nada ser

Então será melhor presentear a oportunidade ao

espaço

A um todo o que virá

Pois tudo o que não é

Foi e sempre será

cobardia

Um estranho acto de  submissão

De acatar a apatia

Numa composição antagónica

que só a terra,

um dia,

 há de apagar...

Há de comer




quinta-feira, 15 de junho de 2017

FICÇÃO

Ao contrário do que possas julgar...
A nossa sanidade depende na verdade muito mais
da ficção do que a realidade da acção,
com que nos gestos te entregas à causa

As acções geram comportamentos, bem sei...
Contudo são sempre primeiro os pensamentos (ficções) que desencadeiam a dimensão das possibilidades

A racionalidade só nos dá de comer enquanto o pão for alimento
Para lá destes sustento existem desnutridas inumeras fontes do corpo,
dos pés à alma

O saber é vaidoso
A matemática não é assim tão prática
E a lógica é suicida...
Gulosa de curiosidade 


domingo, 21 de maio de 2017

ROTAS

Nós não somos fracos nós somos urbanos
Nós não somos exactos nós somos os ângulos de uma esquina
Nós não somos sustento nós somos alimento da terra
Nós  não somos morada nós somos o alcatrão das estradas,
sem tecto nem sina.

Vamos desafiar-nos ou ficar a pensar se erramos,
na direcção das rotas da nossa ida?