sábado, 23 de maio de 2026

GEOMETRIA DA PULSAÇÃO





Somos mais fruto do desejo do que da informação de um livro qualquer.

Ler muitos livros pode ser até enriquecedor mas desejar bastante é o que nos aproxima...

Por isso há momentos desejados que vividos já mais seram esquecidos da memória, daqueles que não perderam parte da sua história a ler os livros de alguém.



Ler ao não ler, talvez possa até ser viver.
Porque até para desejar é preciso ler os sinais das  geometrias e das pulsações. 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

NO VÔO DE UMA ONDA



Esquecer da importância que tem o amor nas nossas vidas, limita-nos!

Deixam-nos rabugentos, olheirudos, distraídos,  desinteressantes, cinzentos, velhacos, amenos, preguiçosamente pequenos... Enfim!
Subtraí-nos viver aos dias que se querem fartos em caricias, intensos de sorrisos rasgados, repletos de magia, pelo toque de dedos curiosos em aprender a leitura da adrenalina, que pulsa por todo lado, em todo o hemisfério da pele.

À quanto tempo não te picas... Não cais em ti, num bom e belo arrepio?
Os corpos precisam de sustento...
O corpo reenvindica à carne o arrepio para assinalar o momento, de ir ou ficar, se faz ou não sentido.
E por falar em sentido, ainda te mentes ao fugir de um olhar, que te faz suspirar por outras paragens?

O nosso estado de espírito só depende de nós. E se a mobilidade com que nos movemos pelos caminhos dos estímulos, for de uma sinceridade atroz, para com os nossos desejos, nada nem ninguém no mundo nos irá parar.

Lembrar da importância que tem o amor nas nossas vidas deveria ser a prioridade para o homem, para que  as noites mal dormidas não fossem apenas o peso das saudades, mas sim, reflexos de vontades borboleteantes a surfarem a onda do desejo.


Amar é todo o destino, mesmo que descalço os caminhos não sejam feitos de praia.

  

 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

CONVICÇÕES




Que bela é a beleza que não se apaga nem se desgasta, 

com o uso, 

nem com a atenção do olhar.


A morte é terrível quando a vida não se acaba...

Quando a vida não  é envolvida,

 quando não é enamorada.


quinta-feira, 7 de maio de 2026

STOP



 ...que ao menos te roube um instante, um olhar que não seja somente para assinalar um obstáculo mas que te faça pensar por breves segundos. E se não voltares a pensar mais em mim, acredita, já valeu bem a pena, termos trocado resticíos de fragilidade ao chocar o nosso olhar, naquele cruzamento, daquela estrada onde as direcções são sempre direccionadas, de modo subtil, pelo algoritmo das decisões.


Aposto que dez metros mais à frente, depois de teres passado por mim, só não olhas-te para trás por achares uma tremenda falta de perspicácia não nos termos abraçado, quando as vontades eram tantas.

Creio que amanhã irás fazer tudo igual, tudo da mesma maneira. Irás encarnar essa actriz principal, a rotina, de modo a não haverem falhas, nem um milímetro de desvio da nossa sina, de forma a nos cruzarmos uma vez mais neste cruzamento.

Confesso que ainda me encontro aqui, à tua espera, a olhar para aquela esquina, como um sinal de trânsito quadrado, de 8 arestas, de cor vermelha onde todos os carros param nos cruzamentos, e onde sem dares pisca desapareces-te de repente, à direita desta Lisboa.

terça-feira, 5 de maio de 2026

A ARTE DE PINTAR OS SONHOS





Piscou-lhe o olho e abraçou o seu neto soltando, nesse preciso momento, o balão que trazia preso a um cordel numa das suas mãos, por de trás das costas do petiz.
A criança entusiasmada, ao ver o balão subir para o céu , saltou, saltou e saltou inebriantemente, para tentar o agarrar...
"Não pares de tentar que consegues, pula que consegues!"
E deixou-se contagiar pelo entusiasmo do seu neto e saltou também ele para essa dimensão onde as possibilidades são de todo possíveis.

"A vida só é vivida por gente que não tem medo de pular... sabias?"
Disse-lhe mais tarde o idoso quando já caminhavam para casa.
A criança sorriu para o seu avô e perguntou-lhe
Porquê que os outros avós não sabem brincar como tu?
O velho enterneceu-se e tapou com a palma de uma das suas mãos os olhos da criança, sussurrando-lhe ao ouvido.
"Sabes o que tenho na minha outra mão?"
A criança arredondou o sorriso, suspirou fundo  agitando-se e gritou bem alto.
"Conseguiste... conseguiste avô?
És o melhor avó do mundo,  conseguiste agarrar o meu balão!"

"Tudo é possível quando se sabe sonhar!"
Disse-lhe o velhinho, mais tarde, na hora de se deitarem.
"Agora descansa pois amanhã quero que me ensines a pintar com os teus lápis de cera"

sábado, 18 de abril de 2026

A IRRELEVÂNCIA DAS PEQUENAS COISA




 "Valerá a pena sentir raiva de alguém? "

Perguntei-lhe depois de ela me ter confessado que sentia raiva de algumas pessoas e até lhes desejava o insucesso nas suas vidas.
"O meu psicólogo disse-me que era até saudável sentir raiva de algumas pessoas. E que era bom expulsar essa raiva para fora"
Respondeu-me de pronto.
"Será que é bom mesmo?"
Argumentei, naquele tipo de pergunta, para a fazer falar mais um pouco.
"É bom sim, a natureza humana, para não ser submissa, precisa de se posicionar "


Levei na memória este pequeno episódio, passado à hora do almoço numa esplanada, de um restaurante de tapas em Lisboa. Em que só agora é que entendi, "a tapa",  por o tema da conversa me ter dominado ao longo do dia.
Muito embora entenda a posição do psicólogo, no sentido de tirar cá para fora vestígios de carga negativa que de alguma forma possam pesar. Acredito muito mais que não desejar mal a ninguém, será mais saudável e vantajoso para todos, além de um ganho de tempo precioso, a longo prazo. Isto porque ninguém é mais feliz a usar as suas energias para desejar mal nem a organizar seitas de ódio com fins a desgraçar alguém. Creio até que em muitos casos a energia daqueles que nos desejam mal só nos edifica, dando-nos notoriedade, prestígio, força e até alguma coragem para continuarmos, ainda com mais afinco.

No fundo basta gritar (num habitáculo de um carro, por exemplo...) para expulsarmos a raiva que em dado momento possa estar, ainda, acumulada dentro de nós. Bem sei que não é um processo assim tão fácil, contudo acredito que o complicado, são assuntos que, por lhes darmos grande relevância, acabam por nos trazer uma boa dose de infelicidade por investirmos na desordem, ao não sabermos realmente bem posicionarmo-nos, 
na proa ou na popa do navio.


quinta-feira, 2 de abril de 2026

SILÊNCIOS





Tudo o que nos distância, são silêncios. Pedaços de ideias à deriva num imaginário, em que não abrimos mão delas. Fora isso, tudo se refaz, tudo converge, tudo se simplifica


Tudo fica em paz quando a nossa energia não é desperdiçada em vão.

Tudo fica em nós por encontrar um jeito certo, de não pedir à razão uma explicação por existir.

E tudo ficará sempre por dizer,  mesmo que a eloquência seja capaz de transferir, o monte dos vendavais que sopra entre nós .


sábado, 28 de março de 2026

URGENTE






É urgente o amor,

É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

 

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

 

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.


* Eugénio de Andrade 

quarta-feira, 11 de março de 2026

SUPER(AÇÃO )



Um dia o mundo não será tão redondo quando, num estrondo, alguém te der a triste noticia de que a pessoa por ti sempre amada, "já não se encontra entre nós".

Nesse dia o chão irá tremer, a tua voz na garganta irá secar, a pulsação no corpo irá pulsar mais do que a vida te pode enganar para encontrar soluções. E num misto de representação e vulnerabilidade irás soltar no ar aquela interrogação que te denúncia... "A sério?"

Terás que ser forte, e isso é apenas a certeza do que o mundo espera de ti.
Há um futuro ainda por desbravar..."mas como?"
O que ficou por dizer já não te sustenta, e nestas alturas tens a certeza de se terem esgotado as possibilidades, de voltar atrás, para emendar o caminho. O drama agora é voltar a saber de novo a respirar.
Tens que ser forte... "Será que sou?"

Só existem duas formas de caracterizar a dor. 
Há a dor daqueles que no escuro emergem em direção à luz e, da mesma forma, há os que bem iluminados se sentem desgraçados a quando o escuro os invade.

Entre lutar ou render-se a escolha é sempre tua.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

CÓCCIX





Não vou falar de sonhos nem de fé...
Talvez de um certo vazio,
quiçá de certos instantes ou vá lá,
de certos momentos vividos entre um ser ao não ser.
Ouviste bem...
Ao não ser!

Se o céu tivesse pernas,  dava-te um pontapé? 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

POEMA DA DESPEDIDA





Digo-te adeus, contudo ainda te quero 

Talvez não te vá esquecer, mas despeço-me de ti 

Não sei se me quiseste, não sei se te queria 

Ou talvez nos quisemos demasiado os dois 

 

Este gostar triste, apaixonado e louco 

Plantei-o em minha alma por querer-te 

Não sei se te amei muito 

Não sei se te amei pouco 

Mas sei que já mais voltarei a amar assim


Levo o teu sorriso adormecido na minha memória 

E o coração diz-me que nunca mais irei esquecer-te 

Mas ao ficar só 

Sabendo que te perdi

Talvez aí comece a amarte, como jámais alguma vez amei


Digo-te adeus, e talvez com esta despedida 

O sonho mais bonito morrerá dentro de mim

Mas despeço-me, para o resto da vida

Mesmo que continue pensando para sempre em ti.


         Adeus, eu ainda te quero 


* Traduzido de espanhol para português de Juan Gelman


 

Te digo adiós, y acaso te quiero todavía.

Quizá no he de olvidarte, pero te digo adiós.
No sé si me quisiste... No sé si te quería...
O tal vez nos quisimos demasiado los dos.

Este cariño triste, y apasionado, y loco,
me lo sembré en el alma para quererte a ti.
No sé si te amé mucho... no sé si te amé poco;
pero sí sé que nunca volveré a amar así.

Me queda tu sonrisa dormida en mi recuerdo,
y el corazón me dice que no te olvidaré;
pero, al quedarme solo, sabiendo que te pierdo,
tal vez empiezo a amarte como jamás te amé.

Te digo adiós, y acaso, con esta despedida,
mi más hermoso sueño muere dentro de mí...
Pero te digo adiós, para toda la vida,

aunque toda la vida siga pensando en ti. adeus

e mesmo assim eu te quero, todavia


*Original 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PORTA DOS SONHOS



  O Sonho é a capacidade que a vida nos dá para brincarmos de dentro para fora, ao invés a vida é o palco que o mundo nos oferece para com ele brincamos de fora para dentro, da melhor forma possível.


Nunca pares de brincar, nem que para isso tenhas que fazer longas pausas até que, de novo, voltes à realidade e, abras essa porta para as brincadeiras.

Talvez por isso é que seja tão importante saber brincar, para entrar no mundo dos sonhos.
Talvez por isso sejam necessárias as noites, bem dormidas.
Talvez por isso hajam tantas feridas quando crescemos, por não as saber sarar, quando na verdade, desde criança sabemos identificar aqueles que mais gostamos para brincar connosco.

Não leves a vida tão a sério, os joelhos não vão aguentar quando um dia te lembrares que, a saltar os dias valiam muito mais apena do que, o receio de recomeçar, seja o aquilo que for, a cada um novo dia.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

REMOER O VAZIO





"Nunca mais volto a procurar-te, podes ter a certeza que esta foi a ultima vez! "


Quantas e quantas vezes é que este episódio de uma possível rotura, já não se passou em algum momento nas nossas vidas?
Quantas e quantas vezes é que esta triste história não se apoderou de uma relação,  escravizando-a, empobrecendo-a, tornando-se num hábito?
Quantas e quantas vezes é que este não foi o mote para a derradeira rotura?
Quantas e quantas vezes é que não foi até a cura, para numa jogada de sorte surgida por mero acaso alguém de novo apareça, voltando a dar o clic, para nos animar e de novo florescermos?
Uma relação que se fortalece com ameaças, parece-me a mim uma união condenada à  desgraça, ao equilibrar-se na loucura das injurias, na frustração de um viver.


Debitar de ânimo leve cá para fora, palavras azedas, infames e caluniozas em prol da desarmonia, é semear no espaço a atrofia, sem colher da árvore da vida o fruto das estações.

Há que saber ceder. 
Há que saber desculpar. 
Há que saber ouvir. 
Há que saber respirar fundo. 
Há que saber ir sem remoer, nem olhar para trás.
Há que saber dar atenção, mesmo que agora a união tenho só um nó mais laço, e fácil de desapertar.
Uma relação que se agride com ameaças constantemente profetizando a rotura o seu final, é uma relação imoral, vazia de vitórias,  sem memórias válidas, sem cor nem valores, fadada ao fracasso, daqui e até sempre.
 
(...)


"Confesso que por vezes entro neste meu espaço só para me reler. 
Aliás quem é que não procura nesta vida  compreender, o caminho da sua ida na tentativa de se fortalecer?"