A escolha do amor não tem um livre arbítrio, a escolha nunca depende de nós, somos simplesmente por ele os escolhidos.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
CARA OU CROA
O que depende de nós são meras interrogações, e não um refinado instinto, que tenha uma verdade nua e crua na ponta da língua. Uma explicação capaz de descrever a atracção de corpos que inepterruptamente se reenvindicam, de noite e de dia, mesmo que os anos, a solidão, os fármacos, a nostalgia e as vicissitudes da vida o tentem apagar.
Quando no ar uma moeda é arremeçada, nunca cabe a ela escolher, se é cara ou se é croa, restalhe apenas num curto espaço de tempo bailar.
Amar também é uma aprendiz do destino, mesmo que descalça saltite desamparada e fragil pelos caminhos, não vá a dor da direção a persuadir, e, perder-se, para nunca mais se encontrar.
sábado, 23 de maio de 2026
GEOMETRIA DA PULSAÇÃO
Ler muitos livros pode ser até enriquecedor mas desejar bastante é o que nos aproxima...
Por isso há momentos desejados que vividos já mais seram esquecidos da memória, daqueles que não perderam parte da sua história a ler os livros de alguém.
Ler ao não ler, talvez possa até ser viver.
Porque até para desejar é preciso ler os sinais das geometrias e das pulsações.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
NO VÔO DE UMA ONDA
Esquecer da importância que tem o amor nas nossas vidas, limita-nos!
Deixam-nos rabugentos, olheirudos, distraídos, desinteressantes, cinzentos, velhacos, amenos, preguiçosamente pequenos... Enfim!
Subtraí-nos viver aos dias que se querem fartos em caricias, intensos de sorrisos rasgados, repletos de magia, pelo toque de dedos curiosos em aprender a leitura da adrenalina, que pulsa por todo lado, em todo o hemisfério da pele.
À quanto tempo não te picas... Não cais em ti, num bom e belo arrepio?
Os corpos precisam de sustento...
O corpo reenvindica à carne o arrepio para assinalar o momento, de ir ou ficar, se faz ou não sentido.
E por falar em sentido, ainda te mentes ao fugir de um olhar, que te faz suspirar por outras paragens?
O nosso estado de espírito só depende de nós. E se a mobilidade com que nos movemos pelos caminhos dos estímulos, for de uma sinceridade atroz, para com os nossos desejos, nada nem ninguém no mundo nos irá parar.
Lembrar da importância que tem o amor nas nossas vidas deveria ser a prioridade para o homem, para que as noites mal dormidas não fossem apenas o peso das saudades, mas sim, reflexos de vontades borboleteantes a surfarem a onda do desejo.
Amar é todo o destino, mesmo que descalço os caminhos não sejam feitos de praia.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
CONVICÇÕES
Que bela é a beleza que não se apaga nem se desgasta,
com o uso,
nem com a atenção do olhar.
A morte é terrível quando a vida não se acaba...
Quando a vida não é envolvida,
quando não é enamorada.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
STOP
...que ao menos te roube um instante, um olhar que não seja somente para assinalar um obstáculo mas que te faça pensar por breves segundos. E se não voltares a pensar mais em mim, acredita, já valeu bem a pena, termos trocado resticíos de fragilidade ao chocar o nosso olhar, naquele cruzamento, daquela estrada onde as direcções são sempre direccionadas, de modo subtil, pelo algoritmo das decisões.
Aposto que dez metros mais à frente, depois de teres passado por mim, só não olhas-te para trás por achares uma tremenda falta de perspicácia não nos termos abraçado, quando as vontades eram tantas.
Creio que amanhã irás fazer tudo igual, tudo da mesma maneira. Irás encarnar essa actriz principal, a rotina, de modo a não haverem falhas, nem um milímetro de desvio da nossa sina, de forma a nos cruzarmos uma vez mais neste cruzamento.
Confesso que ainda me encontro aqui, à tua espera, a olhar para aquela esquina, como um sinal de trânsito quadrado, de 8 arestas, de cor vermelha onde todos os carros param nos cruzamentos, e onde sem dares pisca desapareces-te de repente, à direita desta Lisboa.
terça-feira, 5 de maio de 2026
A ARTE DE PINTAR OS SONHOS
Piscou-lhe o olho e abraçou o seu neto soltando, nesse preciso momento, o balão que trazia preso a um cordel numa das suas mãos, por de trás das costas do petiz.
A criança entusiasmada, ao ver o balão subir para o céu , saltou, saltou e saltou inebriantemente, para tentar o agarrar...
"Não pares de tentar que consegues, pula que consegues!"
E deixou-se contagiar pelo entusiasmo do seu neto e saltou também ele para essa dimensão onde as possibilidades são de todo possíveis.
"A vida só é vivida por gente que não tem medo de pular... sabias?"
Disse-lhe mais tarde o idoso quando já caminhavam para casa.
A criança sorriu para o seu avô e perguntou-lhe
Porquê que os outros avós não sabem brincar como tu?
O velho enterneceu-se e tapou com a palma de uma das suas mãos os olhos da criança, sussurrando-lhe ao ouvido.
"Sabes o que tenho na minha outra mão?"
A criança arredondou o sorriso, suspirou fundo agitando-se e gritou bem alto.
"Conseguiste... conseguiste avô?
És o melhor avó do mundo, conseguiste agarrar o meu balão!"
"Tudo é possível quando se sabe sonhar!"
Disse-lhe o velhinho, mais tarde, na hora de se deitarem.
"Agora descansa pois amanhã quero que me ensines a pintar com os teus lápis de cera"
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