sábado, 18 de abril de 2026

A IRRELEVÂNCIA DAS PEQUENAS COISA




 "Valerá a pena sentir raiva de alguém? "

Perguntei-lhe depois de ela me ter confessado que sentia raiva de algumas pessoas e até lhes desejava o insucesso nas suas vidas.
"O meu psicólogo disse-me que era até saudável sentir raiva de algumas pessoas. E que era bom expulsar essa raiva para fora"
Respondeu-me de pronto.
"Será que é bom mesmo?"
Argumentei, naquele tipo de pergunta, para a fazer falar mais um pouco.
"É bom sim, a natureza humana, para não ser submissa, precisa de se posicionar "


Levei na memória este pequeno episódio, passado à hora do almoço numa esplanada, de um restaurante de tapas em Lisboa. Em que só agora é que entendi, "a tapa",  por o tema da conversa me ter dominado ao longo do dia.
Muito embora entenda a posição do psicólogo, no sentido de tirar cá para fora vestígios de carga negativa que de alguma forma possam pesar. Acredito muito mais que não desejar mal a ninguém, será mais saudável e vantajoso para todos, além de um ganho de tempo precioso, a longo prazo. Isto porque ninguém é mais feliz a usar as suas energias para desejar mal nem a organizar seitas de ódio com fins a desgraçar alguém. Creio até que em muitos casos a energia daqueles que nos desejam mal só nos edifica, dando-nos notoriedade, prestígio, força e até alguma coragem para continuarmos, ainda com mais afinco.

No fundo basta gritar (num habitáculo de um carro, por exemplo...) para expulsarmos a raiva que em dado momento possa estar, ainda, acumulada dentro de nós. Bem sei que não é um processo assim tão fácil, contudo acredito que o complicado, são assuntos que, por lhes darmos grande relevância, acabam por nos trazer uma boa dose de infelicidade por investirmos na desordem, ao não sabermos realmente bem posicionarmo-nos, 
na proa ou na popa do navio.


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