quinta-feira, 7 de maio de 2026

STOP



 ...que ao menos te roube um instante, um olhar que não seja somente para assinalar um obstáculo mas que te faça pensar por breves segundos. E se não voltares a pensar mais em mim, acredita, já valeu bem a pena, termos trocado resticíos de fragilidade ao chocarmos o olhar, naquele cruzamento, daquela estrada onde as direcções são sempre direccionadas, de modo subtil, pelo algoritmo das decisões.


Aposto que dez metros mais à frente, depois de teres passado por mim, só não olhas-te para trás por achares uma tremenda falta de perspicácia não nos termos abraçado, quando as vontades eram tantas.

Creio que amanhã irás fazer tudo igual, tudo da mesma maneira. Irás encarnar essa actriz principal, a rotina, de modo a não haverem falhas, nem um milímetro de desvio da nossa sina, de forma a nos cruzarmos uma vez mais neste cruzamento.

Confesso que ainda me encontro aqui, à tua espera, a olhar para aquela esquina, como um sinal de trânsito, quadrado de 8 arestas, de cor vermelha onde todos os carros param nos cruzamentos, e onde sem dares pisca desapareces-te de repente, à direita desta Lisboa.

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