Sabes qual é a maior riqueza que se pode oferecer a uma mulher mas que não cabe dentro dos bolsos de um homem?
Formulei esta pergunta, do nada, com esperança de a fazer sorrir. Ela olhou para mim com os olhos a brilhar e disse-me "Chuta".
'São... flores... Sabes porquê? "
Olhei-a também eu com os meus olhos a brilhar, talvez por reflectir nas minhas órbitas o encadeamento dos sinais de máximos dos seus...
Sem pestanejar respondeu-me de pronto com um "Não" bem redondo, como se a curiosidade não quisesse perder milésimos de segundos para bater um recorde mundial, numa corrida de 100 metros.
"Porque... sem espaço e no escuro... longe do olhar e dos afectos... todas as flores murcham"
Ela abraçou-me como se as horas ainda não tivessem sido inventadas pelo homem, segredando-me, momentos depois, em voz rouca ao ouvido.
"Podes-me levar no teu bolso?"
Zááaaaasss...Caí de mim, numa queda estrondosa que me esfolou cotovelos e joelhos, ao puxar-me o tapete da realidade por completo. Raptando-me o discernimento ao não responder com prontidão e clareza a uma equação tão complexa.
"Eu sou feliz de noite ou de dia, em qualquer espaço apertado ou frio, onde couber. Eu sou como as ervas daninhas, não preciso de muito preciso é de viver com esperança de ser mulher perto de um homem que me queira daqui até à lua."
O silêncio entrou no raio do nosso olhar e sem marcação para nos tatuar na pele uma marca tão profunda, semeei na memória esta história que os anos iram lembrar, nas noites em que a sede me dominar o desejo, de um corpo nu... Carente de atenção.

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