sexta-feira, 9 de agosto de 2013

NEBLINAS PRAZEROSAS

Hoje a noite está  a arder
e com ela os meus pensamentos queimam
Escorrem a ferver
Molhados
Iludidos e pervertidos
de intensos sabores

Um toque de telefone
Rouba-me de repente a atenção
A mensagem que chega
Multiplica-me o processo de salivação
E um sorriso que me faz crer
Hoje fazer história

Acedo ao encontro
e faço-me à estrada
E pelo caminho
vou iludindo o destino
Antecipando o prazer
Premeditado-o
Para não haver falhas

À minha espera
lá estavas tu
De camisa mais leve
do que um corpo nu
De mini saia mais justa
que à justiça satisfaz
E de  formas tão apetitosas
Que a gula agradece me humedece
e se apraz

O desejo manifestou-se
A saliva escorreu...
Lubrificou-me
A pele arrepiou...
Mordeu-se
A mão acelerou...
Realizou-se
E o prazer deu de comer
aos corpos
Aos vidros deu-lhes de beber
Embaçando um habitáculo
com vontade...
Para crescer
Um arrepio do tamanho da carne

De volta à estrada
Fito a minha imagem desfocada
Que o espelho do carro denuncia
Abro o vidro lateral e deixo o vento me pentear
mesmo que para a cama eu nem precise estar
assim tão composto
E lembro-me que à pouco eu fui tanto...
À pouco eu era mais nítido desfocado
Era mais eu realizado
No imperfeito embaçado
de um reflexo murmurante

Sem comentários:

Enviar um comentário