quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

prostituição


Geradora de ilusões
a mais velha profissão do mundo
ganha dignidade na ostentação de um luxo podre
Será a ultima a morrer com fome
Degradando tudo e todos aos que se submeterem
Aos seus jogos de luxúria

Cravado na pele o cheiro empregna a alma escrava
Desanimada como o putrefacção de uma carne fedorenta
Animais de colarinho branco vão ditando as regras
Na ejaculação de um fluido tóxico
Que envenena o espirito na malha da conveniência
Prostituindo uma miséria servil e obdiente

O interesse arquitectado ganha formas
Num arroto fétido...
Num sorriso ignóbil que arrepia até a essência
A avidez esculpe estalactites pontiagudas
Em argumentos miseráveis sem olhar a meios
De forma a tirar um ressultado forçoso

De corpo vandalizado e olheiras que a devasidão come ao sono cru
Jazes tu prostituição que canibalizas até a tua propria sombra
Vitimizando a ganância de tocar e ser tocada
...com toda a devoção

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Inspiração


Abro as janelas e escancaro portas
Deixo a corrente de ar me roçar
Sento-me no ponto mais intenso do sopro
E sinto o vento encanado me chicotear pela inspiração

Estico-me em tentáculos de anémona
Filtrando as partículas da aragem que me alimentam a derme
Materializo o fluido construindo pontes de sentido
Para que nem as regras nem as normas me rasteirem o rumo incerto

Respiro fundo pensamentos,
Passeio entre doutrinas,
Vagueio sob sistemas,
Sonho com fantasias,
Germino ideias,
Solto recordações...´

A pedra é rocha quando a areia já não se integra

O que os outros possam julgar ser um dom
não é mais que letras em cima de palavras
De mesmices que repercutem da turba...
Lá fora

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Hino


Gostava de escrever uma canção
Á laia de hino nacional
A canção em que o sentimento vem antes da palavra...
E da melodia
Uma musica que não induza
mas que encante
Capaz de ancorar os sonhos que jazem nos caracóis de uma criança

Carrego na letra na esperança
de sacudir as almas
Limpar o pó dos fogos de verão
Semear a esperança que a idade sonega
Entregar a confiança que escapou no orvalho de folhas mal nutridas
E operar no espírito a arte que ecoa

Tenho a vontade de converter a tinta em cânticos
Adestrar num grito...
A espontaneidade
Trauteada ao ritmo de um pulso firme
De um bombear intravenoso
Capaz de romper gargantas
e de fechar os olhos a uma qualquer crença

Desejo escrever a canção
Espalhar no ar a musica que incita
Esticar o sorriso á melancolia
Roubar a quem governa,
os juros das migalhas da vida
E ser o pão que alimenta
os recantos dos cantos que tu nem ousas saber

sábado, 25 de setembro de 2010

êxito


Pedir para não fazer mal é diferente de pedir a perfeição
Incutir a prática de se distanciar do erro
é fazer com que o objectivo possa ser alcançado
sem que para isso se esteja a pedir mais do que realmente cada um de nós pode dar

Todos os campeões cometem erros
No final aquele que alcança a meta
é aquele que se distanciou mais da imperfeição
...será aquele que não sendo perfeito foi o que mais se aproximou da magnificência
Sem ser transcendental

Quando questionados sobre o vazio que estes “campeões” sentem,
a resposta é inequívoca e evidente
Eles tambem buscam a perfeição sem se acharem
O que os faz julgar inseguros vazios e menos preenchidos
É a imagem que educam da perfeição

A razão pura por si só não existe
A razão ao longo dos tempos não é mais que uma actualização de informações
Na tentativa de se aproximar de uma lógica
que se padece em determinado momento

Para vencer não é preciso ser mais do que aquilo que realmente já somos
Esta é a formula mais acertada de chegar ao sucesso
Porque na pratica o êxito
É a soma constante e indubitável do insucesso
É a dormencia e a quietação do receio
Que gera um resultado feliz

Aquele que tem a capacidade de alcançar interiormente a razão perecivel no tempo
É o campeão que não se esconde nem se alucina dos medos nem dos fracassos
Por compreender a entropia que o rege
Sem perder o objectivo a alcançar no fio condutor da coerência

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pombo correio



Pssssiiuuuu
Sim és tu...
Vem cá
Não consegues entender?
Ou tens pouca coragem...

Não sentes que estou focalizado em ti?
Será que ainda não te apercebes que quero falar contigo?
Sim ...é para ti
Ainda não estás seguro?

A escrita está longe de ser
Pombo correio de informação vã
Voando em muitos assuntos
Sem ter o conteudo coêrente a dar

A cobardia do conselho silencioso que a tinta propaga
É veneno resinoso
Na timidez que um olhar esconde

Na palavra situo a pressão arterial
Que difunde a cronologia do desenvolvimento
Que entope as minhas artérias

Não dou ensinamentos
Pois não procuro solucionar os problemas dos outros
Nem tenho curso de magia para leccionar
Apenas me situo nesta estrada sinuosa
Para pontificar a geologia da terra em conformidade
Com a minha identidade

Atitude é buscar na oralidade o vocabulo que a escrita oculta

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

osculo

Olhei-te num espaço de um beijo
De labios dormentes e olhos fechados
Imanavas nos traços, carinho salpicado de ternura
Exalavas genuinidade nas tuas pestanas
Prontas a segurar o desejo que filmavas entre pálpebras

Cerrei os olhos e mergulhei fundo
Pronto a entrar em cena
...na tela do teu apetite
Pronto em ser aluno exemplar
...dessa tua fonética dos sussuros
Pronto a entranhar-me em ti
No desvaneio da tua ilusão

E de novo o beijo abalou as nossas estruturas
O toque atiçou as brasas com impetuosidade
Deixando em carne viva o apetite ávido
Fazendo correr em suor,
As lagrimas da satisfação que nos hidratava o arrepio
Sequioso do aroma que nos exalava
Por entre dois corpos nus

Nisto...
Acordei no delirio de um sonho
Lembro-me que á pouco acenavas para mim
Desvairadamente quis saltar para dentro da bolha da utopia
Sem que obtive-se ressultado
Assomei a escrever no papel as cicatrizes da fantasia
Indescritível de materializar na tinta
O gosto e o cheiro na perfeição de um beijo

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dádiva melodica


Imploramos...
Protestamos...
Reclamamos tanto mas tanto
que nos esquecemos de o formalizar
Irados contabilizamos prejuizos de passados
Com a aderencia do adesivo que nos cala
E sem as energias de outro´ra
Expandimos as veias que nos musculam o olhar

Ponderação é lamina que poda a vida
E tu insurgiste com o quê?

Sem confiança gerimos mal o pensamento
O fio condutor que o suporta perdeu-se algures
No emaranhado de fibras que novela a indolência
Fraca, sem estimulo para agir no momento oportuno
Questionando, desconfiando, temendo, receando...

As duvidas são tantas que nos desacreditamos
Crentes um dia que o ámago existiu em cada um de nós
Crédulos que somos unicos e diferentes
Mesmo sabendo que o combustivel que governa o mundo
Não é o oleo em tons muito escuro que extraimos da terra

Agir de uma forma autómata
é representar
Tudo o que é maré sob regras,
é estagnação
Quem nada contra a corrente
Só pode evoluir

Rogo de modo a depreender em tons de canção a
Dádiva da melodia eloquente