sábado, 15 de setembro de 2012
SEM O SER
Sempre que me encontro
abraço-me até as lágrimas
Para lavar a dormência
dos dias que me escaparam
Sempre que me encontro
arrepio-me por entre desejos
De não ver ao longe um sonho
a se perder no longínquo horizonte
Sempre que me encontro
inspiro-me por detrás de pálpebras cerradas
Para que a luz de uma sombra guardada
seja moldada e fadada
de um tremendo contentamento
Sempre que me encontro
Sou apenas um pouco mais de mim
Sou o ser sem o ser
Sincero e infinito
O eu que me gostaria
Neste meu imenso labirinto
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
CATWOMAN

A lua vai alta
o teu sonho também
E eu aqui sozinho
continuo firme...
À tua espera
A imaginar-te baixinho
Estrondosamente no meu peito
Desfeito...
E refeito
de um passado que sorveu
Engolido num mar de um beijo
De um desejo
num sonho nosso...
Meu e teu
Faz-me tão mal esta distância
Que por vezes convenço-me
que não sou mais eu
mas o que ficou de mim
De um alguém tremendamente apaixonado
Gosto tanto de ti
que chego até
a ter vergonha de mim
por me entregar assim...
Tão claro e evidente
Antigamente
sabia viver ausente
...sem ti
Mas confesso que hoje não sei
Gosto de ti e pronto...
Sem princìpio nem fim
Como uma semente que há muito
já trazia dentro de mim
Só faltava regar
Para a ver crescer
e no castanho dos teus olhos
me sentir a palpitar...
A acreditar
Neste meu novo florescer
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
INSATISFEITO
Se ao encontrar-me
Tudo o que paira à minha volta
é incompleto...
Abstracto
O que me vale o sensato
quando o homem é inapto
No seu viver...
Inseguro na sua bravura
O que me vale a compreensão
se vivo num mundo sem fé
Injusto e inexplicável...
Sem razão
O que me vale o pensamento
Se tudo o que sinto por dentro
não cria raízes por fora...
É insatisfeito
O que me vale...
É a palavra!
É nela que me rendo
É por ela que me aconselho
e me defendo
Que este é um tempo
Em que o mundo dorme lá fora
sábado, 25 de agosto de 2012
TELEVISÃO
Acomoda-te ao sofá e liga a televisão
Vem ver a desgraça
e a miséria a acontecer
Toda ela compactada
por mil canais de informação
E fingir que dá gosto
dar atenção...
Ao enquadramento da tela
que manieta e sequestra o prazer
Traz as pipocas para a sala
hoje não perco esta guerra
Onda de terror e sangue
dão o mote...
Ao top
da ignorância
Que a todos cega
Que em todos grita
No intervalo da barbárie
faz-se um zaping até ao parlamento
...mas por pouco tempo
Para não perder na segunda parte
...pitada
De uma família desempregada
que sobrevive na miséria
Com um pouco quase nada
do quase tudo que um governo subtraì
E de novo...
No epicentro do conflito
surge em directo um repórter
para nos dar conta
da intensidade de um grito
Preso na boca de uma criança
Que perdeu um seu ente querido
PAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIII...
Agonia pura
Coração partido
que é vê-la chorar
Em seu olhar distorcido
A desgraça..
A fome...
E a miséria...
Passam aqui todos os dias
Em primeira mão
Num plasma de uma casa qualquer
Que nos subtrai
e esmiúça em "polegadas"...
A atenção
Num corpo desacreditado de crer
Cinza de fogueira
sem chama para viver
Amarrado e preso
a um comando de televisão
domingo, 29 de julho de 2012
Mar
sábado, 30 de junho de 2012
Metades
onde se contemplam metades
Há um meio e um caminho
onde a solução acena ao longe
Há uma metade que se insurge
E há uma outra meia metade
que se esconde...onde se acomodam as desculpas
Há um todo de verdade e perfeição
quando se caminha e crê no mundo da ilusãoE há apenas o haver sem nada fazer
para que haja uma profunda e inteira revolução
Há um imediato momento
em que colidimos por pensamentos
Há um passo equidistante
onde brotam as saudades
Há um haver de querer
sem nada ter feito
E há um querer de viver
por tudo o que perdemos
Há meias metades
que no sempre se contemplam
Há metades de metades
que diariamente se ignoram
E há outras meias metades
que para sempre..
no sempre choram
quinta-feira, 21 de junho de 2012
SABEDORIA
Toda a unidade é sabedoria
quando se distancia
de um seu pensamento
nem tempo
Para divagar sob existências
Que não cabem no seu preciso exacto
Imediato
Momento
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