Hoje de manhã enquanto conduzia presenciei um momento inusitado, entre um homem que ao andar de um lado do passeio, pela mesma calçada, se cruza com uma rapariga e, passados uns metros este volta-se para trás para avistar de novo, a jovem, mas esta continuou a andar sem rodopiar a cabeça para o avistar. Continuou na sua passada e passados mais uns metros o mesmo homem voltou de novo a olhar para trás como que a suplicar para a jovem aceder ao seu gesto, e uma vez mais a miúda não lhe deu troco, distanciando-se dele a cada passo, a cada impulso dele ao rodopiar a cabeça, a cada inspiração de um respirar que faz o mundo vibrar seja ele qual for esse desígnio no emaranhado da imaginação.
Talvez o amor também seja assim, um presente a andar sorridente pela calçada, entre um passado que nunca se apaga, e um futuro que por mais que olhe em frente, intermitentemente, não pára de olhar para trás.

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