segunda-feira, 28 de outubro de 2013

DESPROGRAMADOS

No monte das vulgaridades
eu me carrego ao colo
Não vá o verniz da hipocrisia estalar
E eu daqui cair ao chão
me estatelar...
Sob os despojos da enfermidade de alguém

Dono e senhor do pensamento
caminho sobre os escombros do tempo
Não dando ênfase ao todo desprogramado momento
Que é ver a imoralidade espalhada e perfilada
sob autdors do incumprimento
Em campanhas que já nem iludem
o mais agonizado dos vómitos

"Para um futuro melhor"
"A favor de Portugal"
"Pelo interesse nacional"
"Há cada vez mais gente a pensar como nós"
"Rigor e solidariedade"
"Chegou a hora da verdade"

Tudo isto já não vinga
Tudo isto não chega para ser fado
Tudo isto é tão sinistro
que eu aqui ao colo me pergunto :

Será que vai haver algum lugar
onde eu possa aterrar o pés ?
Será que o tempo só nos revela o óbvio
feito fogos de Verão ?
O que será do amanhã se hoje
amorteço apenas as horas ?
Terei eu no tic-tac do tempo
um jeito de me acertar ?
Ou haverá no futuro uma factura a pagar
pelo pulso desadequado de um pulsar em nós projectado ?

Há uma idade em que a existência não tem B.I.
Em que um despertar não se reconhece em si mesmo
Em que divagar é o meio de apalpar o motivo...
Um desconforto
Uma direcção

Pergunto-me porquê
da chegada a hora da decisão ?
Desta existência que não existe
mas que persiste em existir
Encoberta de razão para não se evidenciar
Concluo que toda a informação depreendida
que não é exercida na prática
É convocada para o palco dos lamentos
Um palco que não alimenta
mas que sustenta a ideia
de um...
Podia ter sido

Gases tóxicos elevam-se do chão
Odores nauseabundos assomam-se dos corpos caídos
E num clima de podridão as cidades se espraiam indiferentes
Aguardando a maré de cada estação
a varrer os restos dos despojos rendidos

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