sábado, 19 de outubro de 2024

TEATRO DO SER



A natureza do homem não é natural... 


Passamos ao lado uns dos outros, no passeio, fingindo não nos vermos.
Almoçamos comodamente a poucos metros de um indigente, sentado no chão com fome a pedir moedas, para que, quem sabe também ele possa comer.
Não intervimos num salvamento mas ficamos curiosos a olhar de longe para esse mesmo episódio.
Fugimos a 7 pés de falar em público mas, sonhamos lá no fundo ser interessantes, ter conteúdo, uma espécie de palestrante de mão cheia.
Gostamos de ser sonhados e lembrados por alguém, contudo escondemo-nos de tudo e de todos, bem como de nós próprios.
Fingimos ter pressa sempre que andamos em tapetes rolantes no shopping, achando que dessa maneira somos capazes de criar a ideia de que, pessoas responsáveis têm uma velocidade muito própria na sola dos pés.
Viajamos à procura do sol mas é sempre à sombra que nos vivemos.
Sabemos que se prevaricarmos sofremos, e depois, amuamos ignorantemente de barriga cheia por termos saído da linha.
Contagiamo-nos em todas as circunstâncias com o sorriso inocente de uma criança, mesmo que ela não fale a nossa língua.
Achamo-nos diferentes e tão especiais mas acabamos por fazer sempre o que todos fazem, as mesmas coisas banais, ao estacionar o carro num supermercado, no mesmo e sempre quadrado de um parque de estacionamento.
A nossa verdade é tão sómente nossa e é sempre muito mais verdadeira e acertiva do que a dos demais iletrados, mediáticos comentadores, que comentam por exemplo um jogo de futebol da nossa seleção.

A natureza do homem não é racional, é emotiva.
Complexa no seu vai e vem de emoções .

sábado, 14 de setembro de 2024

ANAÏS NIN


 “O amor não é uma escolha, mas amar plenamente é. Ele exige uma entrega, uma vulnerabilidade que poucos estão dispostos a oferecer. Amar é arriscar-se ao caos, é abrir mão do controle. Mas sem essa entrega, o que resta? Um simulacro, uma versão pálida do que a vida pode ser. Amar verdadeiramente é libertar-se das amarras da autoproteção e aceitar que a dor faz parte do pacote. Mas é essa dor que dá sentido à alegria.”


* Delta de Vênus



quarta-feira, 11 de setembro de 2024

* "SOMOS APENAS UMA VEZ NA VIDA "

 


Nas várias camadas de amar há uma que se destingue em si mesma pela intensidade do seu fogo, pelo ritmo ardente da pulsação de gostar.

Esta camada é aquela que não se dissolve com a dor nem com as auroras de um novo dia...

Dizem os entendidos em "romanciologia" que,  haverá para sempre amor sem futuro, ao invés, um futuro sem amor já mais existirá.


Depois de uma vida errante e sem morada o que me resta se não souber apreciar o caminho?
Um café à beira da estrada.
A plenitude de cada madrugada rendida ao poder das emoções.
O canto das cigarras como que a baterem palmas, ao longe, do raio onde me encontro... 


(incompleto)

* Ronal Rondon



 

domingo, 21 de julho de 2024

ANA CORALINA



" Às vezes, a gente

 tem que 

respirar fundo e falar:

Então tá! "

sábado, 15 de junho de 2024

NOS PONTEIROS DA SATISFAÇÃO



Todos temos uma particularidade inata, para além de muitas outras particularidades, de nos identificarmos com uma determinada hora do dia, vai-se lá saber bem porquê. Em que viver nos dá mais prazer, mais alegria, independente de que dia da semana for...

Talvez pensar nesses momentos e enumerar alguns tópicos para que se consiga identificar as razões para que determinada hora seja a nossa hora do dia, possa alargar mais o timingue de tal satisfação.

Talvez saber este nosso momento, possa mudar o cariz das nossas decisões, para que os dias não sejam carregados de banalidades que roubam mais do que nos acrescentam tonalidades ao nosso viver.

Já sabes a tua hora do dia?

Se apenas desconfias, experimenta limpar a apatia com que houves o tic-tac da tua respiração, para assim poderes apurar e acrescentar um pouco mais de um palmo, e assim poder alargar, o raio da tua percepção.

(...)

Enroscados no sofá, aproveitando o quente dos corpos para desinflamar o peso da alma. Depois de lhe ter preparado o jantar, em que ela repetiu uma e outra vez, até não haver mais vestígios de migalhas de pão. Num de repente, no pico da leveza da satisfação, ela solta no ar o seguinte dizer, em tons de  afirmação...


"Esta é a hora do dia em que gosto mais de viver."


Respirei fundo, olhei para o relógio do telemóvel satisfeito, e pus-me a escrever...


sábado, 8 de junho de 2024

RESPIRA FUNDO!

Quando um dia, ao desfolhar um livro para ler, os meus olhos já não tiverem a mesma mestria e capacidade de descobrir as palavras por entre o carrossel das sílabas, espero nesse momento, ir ainda a tempo, de pedir desculpas e fazer as pazes com os sentidos... 

Por nem sempre lhe ter dado ouvidos, aromas, toques e o gosto que toda a fome implora.




A hora para se acertar não depende apenas de um único e longo ponteiro de um relógio de pulso, tal como o caminho não depende apenas da visão para se guiar.


Respira fundo, pela frente ainda há muito mundo para sentir... Para contestar!

terça-feira, 4 de junho de 2024

MIA COUTO


"A fadiga que sentimos não é tanto do trabalho acumulado, mas de um quotidiano feito de rotina e de vazio. O que mais cansa não é trabalhar muito. O que mais cansa é viver pouco. O que realmente cansa é viver sem sonhos".


Mia Couto,

 "O Universo Num Grão de Areia"