terça-feira, 10 de maio de 2011

RAZÃO


A lógica comeu a razão num dia assim...
Conquistando num gesto, o domínio de um passo
A confiança...o sentimento...o amor...
Tudo o que sentimos sem explicação é a nossa razão

A lógica subtraiu coragem á razão
E a coragem mirrou...
Humilhando-se a cada novo dia
na covardia dos dias sempre iguais
Educou sem razão...
Assentando e edificando a base lógica
Desvalorizou o sentir da atracão
no comodismo do imediato
Construiu cidades e países
sob doutrinas lógicas
que se valorizam em detrimento da razão

Não é lógico distanciarmos-nos da família
Mas sem razão essa lógica toma todo o seu sentido assertivo
Não é lógico haver desumanidade
Sem razão tudo é possível
Não é lógico governos e políticos exercerem mandatos
desgovernando a fome de um povo
Sem razão tudo é lógico

Nações que se erguem sob aproveitamento de crises
alheando-se da razão sob premissas lógicas
Mal gastam o homem

A lógica cresceu tanto
que hoje consegue ter raiva até de nós próprios
Consegue ter pena...

A raiva brota da lógica por não haver razão de existir

Crer na razão parece tarefa árdua
Mas é tão e somente crer... acreditar
Viver rodeado de razão
é tão perfeito que Éden e o seu jardim
Perderiam todas as suas maçãs
pela razão de não haver lógica que a substancie

Todos temos uma história para construir
Todos temos uma razão a defender
Todos somos poucos quando de lógica o mundo urge

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Rotinas


Vagueio silencioso pelas ruas desta cidade…
Por entre olhares surdos que não vêm
Na dormência de passos mudos que não sentem
Por entre a aura cinza das vestes da minha gente

Sei da história de todos eles
dos sulcos que cavam em suas direcções
Do cão que por tudo ladra
Das ilusões e amores que padecem
Da rotina diária a cada bica de café

Impotente como uma lágrima suprimida
numa garganta musculada pela agônia
...acompanho o actuar da marcha do tempo
que a tudo escoa a informação de tempos idos

Quando o peso do barril de petróleo e da moeda é mais relevante que a "politica monetária interior"... o sentimento é mero escudo de outr'ora

Impávido e expectante
evito a vaga de hipocrisia social
purificando na palavra
a luz que elumina a verticalidade dos meus actos

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Evidências


Por detrás da desgraça
Vivem os negócios mais rentáveis do planeta
Em cada foco de miséria
Há um nicho de riqueza que prospera
A cada corpo caído e mutilado pela fome
Há 21 gramas que se evaporam
E se materializam
Na cartola mágica de um magnata

Algures no telhado de um arranha-céus
O diabo pisca um olho
sempre que o “business” prolifera
E palmei-a o iludido
com um sorriso nos dentes
Enquanto abruptamente há alguém que se atira de uma falésia

Toda a desgraça é notícia
Mas ser desgraçado... Não!
Foi-se...
O trajecto para a morte não importa
O que interessa são os "quilos" de sangue presos nas rochas

A informação é veneno ilusório
O estado é soberano e as migalhas são democráticas
A droga de um povo
é a sua subserviência

Quando os poderosos não governam a indústria da cocaína
Toda a droga é penalizada
Prescrita e em conformidade com a lei
A mesma droga adquire um nome mais pomposo e elocutório
numa legalização de "estupefacientes"
Sendo assim tolerada e admnistrada
em maços de tabaco com letras maiúsculas
MATA
Mas como diz o povão ignorante
“ o que não mata, engorda”

Nas ruas, no metro, nos shopings...
Proliferam os bancos alimentares
E a dúvida persiste...
Será a desgraça que pisca o olho
Ou
Será o diabo que é mau e empurra as pessoas da falésia?

As evidências já não se escondem da vergonha
Hoje a vergonha é que se esconde das evidências

terça-feira, 19 de abril de 2011

Hesitar


Apareces e desapareces sem deixar rasto
Rodopias como uma folha
caída num vento de Outono
Que já não baila
na incerteza de uma brisa
Que já não dança a coreografia em espiral
na obra de um grande mestre


Deixas mensagens em palavras ocas
Sem miolo...
Futeis na cavidade do sentir
Vazias na ânsia de um desejo

Vais e vens como a espuma de uma onda da praia
Que se omite sempre que á beira mar
beija a areia indefesa
E vais construindo esse teu mundo
num rodopio afunilado
á sombra do teu umbigo

Hoje estás cá e queres iludir
Amanha estás lá e queres ocultar
Vamos fazer já?
E vencer o tempo
Ou será melhor depois...
Deixarmos arrefecer a imprudência?

Laços que se apertam no desejo
Relações que se materializam num beijo
Corpos que se encaixam e se amontoam
Num morder de lábios incessante

sábado, 9 de abril de 2011

Reconhece-te


Descrito num texto
Jaze a mais bela história de amor
Que nos rouba o passo de um chão
que é tão fofo de se pisar

A imaginação enche-se de prespectivas
E a vontade de desejos
O vazio transborda de afectos
E ao longe as rosas acenam
Engodos coloridos em seus anzóis

Alucinadas pelo toque
Salivam as glândulas
Num apetite extremo e sequioso
Ávidas de se banharem
Nos cheiros e nos sabores
Que se condensam num pálato
Refinado de suposições

O saber não se empresta
Nem o amor é claro e evidente
Como vem pormenorizado nas quadras de um livro
Amor é sabedoria
Saber...
é amar!

“Dar e receber... devia ser
A nossa forma de viver”

segunda-feira, 28 de março de 2011

Robin Hood


Hoje o governo caíu
Amanhã há eleições
Vamos votar?
Vamos construir o monstro?

Deputados do artifício
Vestem a máscara sorridente em dias de campanha
De barriga cheia, bolsos vazios e arrogância presa no dente

De promessa em promessa...
Cartomantes da ilusão fundamentam perspectivas aparentemente risonhas
Atirando em suas cartas perniciosas probabilidades ...de um jackpot órfão de taluda

Lá fora, na rua desta cidade
As varandas da minha gente adornam-se de placas da moda
VENDE-SE
Mas já ninguém sabe ao certo o que se vende
Uma lágrima mal nutrida, um apartamento escuro... uma família sem alma

Cá em casa sou só eu e tu
A querer aprender esta lógica do "desengano"
Onde a soma que regula a esperança vem cravada nas leis e nos artigos
De uma constituição que só causa dolo

Intrépido pego no altere e alimento a força...para que ela nunca me abandone
Abro ao acaso a bibliografia do "Mandela"...para que a audácia esteja sempre presente em mim
Irreverente vou construindo peça a peça o "Robin Hood" que emerge do desequilibro da raiva contida, deixando para trás um quotidiano cobarde demasiadamente acanhado


Dificeis de suprimir vou compondo pinturas rupestres, escrevendo sob a rocha dura
A prosa covarde que a todos apoquenta

sábado, 5 de março de 2011

as meninas da minha praia


Olhares que se cruzam
Sorrisos que se tocam
Incertezas que se entrelaçam num desejo...
A minha praia é assim !

É sal que tempera a pele morena
em sombra branca de biquini
É cheiro a cremes de fruta exótica
que despertam apetites
É corpos molhados que rejuvenescem
num reflexo atento de uns oculos de sol

Na minha praia
As cigarras cantam ao longe
Sonorizando o verde da serra
As raquetes dançam á beira mar
em movimentos sensuais
E em coreografias voluptuosas
toalhas sacodem repetidas vezes
um piscar de olho a tentação

Tatuadas de areia e sal
jazem ao sol as meninas da minha praia
Apurando e refinando a maresia
Espalhando cores e exotismo á inspiração
Fazendo das nuvens do meu céu azul
Sonhos curvilíneos e ilusões serpentiantes...
Adicionando sorrisos e a certeza
de que amanhã voltarei a cá estar !