terça-feira, 1 de agosto de 2017

REFÉM DAS PALAVRAS

Sou refém das palavras.
Das formas não verbais inertes, inenarráveis, espalhadas ao longo deste meu intelecto, abandonadas...
Com esperança de se conjugarem no seu devido tempo.

Refém de palavras eu sou.
Das frases arremessadas ao acaso, das ideias costuradas ao redor de mil parágrafos.
Dos textos lidos, relidos e alguns deles até ouvidos e invejados, habilmente escritos na prosa do dialecto, de alguém que as invocou. 

Enfim e a sós comigo eu aqui vos digo e admito mais uma vez refém das palavras. Sobretudo daquelas que omissas ficaram por falar. Palavras toscas, palavras azedas, palavras abafadas por se destapar, palavras que engasgadas expiraram a sua validade em algum momento em que se esperava muito mais da voz do que a ignorância atroz, que em mim, enfim, as calou.

Refém das palavras, admito, eu sou!

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