quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

REFLEXÃO


O sol lá em cima já não queima
Sentado no banco da esplanada deixo-me envolver pelo morno do dia.
O gosto do café desperta a leitura que o jornal desatenta…
E ao longe uma figura de um sem abrigo, chama-me à atenção
De barba e de cabelo cortado à navalhada com a pele castanha de sujidade que fazem "pandan" com as roupas rasgadas e gastas pela podridão da moda do asfalto
Ele vai metendo-se com os transeuntes que passam sem levar- troco…ignorando-o. Sem que ninguém lhe preste a mínima e qualquer atenção
O sem abrigo focaliza-me no extremo do horizonte e acende um cigarro… como se de abrigo e de companhia lhe fizesse… deixando-se consumir pela amizade narcótica, que o faz fugir desta realidade.
Presa num instante... na ponta de um cigarro… um amanhã
Valorizar a economia é isto
Damos-lhe valor em demasia, e desvalorizamos o essencial
Se continuarmos a valorizar o dinheiro em detrimento dos afectos, teremos num futuro próximo uma geração de "sem abrigos”
Uma espécie evoluída da geração rasca que nos proclamaram um dia.

* e ainda que irónico vos diga, não serão só cem mas sim milhentos

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