Na lei da física, um elástico torna-se lasso depois de
muito esticar, correndo o risco de se partir e irremediavelmente quebrar.
E nós esticámos, esticamos tanto...
Puxamos, exigimos e violamos com tanta força o laço, "doutr'ora" engalanado, que rendilhamo-nos num nó.
Inflexíveis, diminuídos, sem dó, agastados, comidos e alucinados, num só. Achando que tentar para todo o lado que não aqui, seria a fuga para a salvação.
Embarcamos então nessa distância de fugir, sem esperança de voltar, com uma agonia enorme a entorpecer o gesto de olhar para trás.
Zás...
Ambos sentimos o elástico a ceder, a esticar, a fazer de tudo para não se partir, para não nos soltar, mas irremediavelmente, como um osso que se quebra numa queda onde nada fazia prever, soltamo-nos. Libertamo-nos da carência que havia em nós, uma dependencia atroz, que nos sufocava e que nos iludia que juntos eramos imortais.
Agora somos corpos que gravitam no espaço, incompreendidos na sua essência.
Até a ciência da física de novo, algures, nos amarrar.
sábado, 31 de dezembro de 2016
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
PULSO
Toda as emoções que se assomam do peito
despertam intermináveis nascentes de um leito, que não para de correr...
Não é pois, por isso, de estranhar à noite haverem tantos sonhos que não param de tocar-te, que não se cansam de correr, de segredar, de avisar-te, não param de viver. Pingam, pulsam, gritam, tentando a todo custo realizarem-se, não parando nunca nem para descansar, só para te provar que o teu lugar por mais que queiras esquecer vai sempre dar ao mesmo sitio onde em tempos foste mais que um singelo prazer, na boca de um beijo tão profundo
Se não souberes medir o fundo, também nunca saberás medir o pulso, nas vezes em que o coração te pedir para ficar
despertam intermináveis nascentes de um leito, que não para de correr...
Não é pois, por isso, de estranhar à noite haverem tantos sonhos que não param de tocar-te, que não se cansam de correr, de segredar, de avisar-te, não param de viver. Pingam, pulsam, gritam, tentando a todo custo realizarem-se, não parando nunca nem para descansar, só para te provar que o teu lugar por mais que queiras esquecer vai sempre dar ao mesmo sitio onde em tempos foste mais que um singelo prazer, na boca de um beijo tão profundo
Se não souberes medir o fundo, também nunca saberás medir o pulso, nas vezes em que o coração te pedir para ficar
domingo, 25 de dezembro de 2016
DIMENSÃO DOS SONHOS
Descrever o horizonte de um final de tarde com um traço tão preciso, é necessário deixar-se envolver pela natureza das cores e por a nobreza que as palavras nos soletram ao ouvido,
para que a simbiose da dimensão não se apague
... À pouco quis chegar ao rasgo prependicular do teu sorriso, e sem saber se de facto o moldei, pus - me a imaginar, e, sonhei, sonhei, sonhei...
Sonhei sair deste lugar e, sem me importar com a via ou meio de aí chegar, deixei-me ir,
para que a simbiose da dimensão não se apague
... À pouco quis chegar ao rasgo prependicular do teu sorriso, e sem saber se de facto o moldei, pus - me a imaginar, e, sonhei, sonhei, sonhei...
Sonhei sair deste lugar e, sem me importar com a via ou meio de aí chegar, deixei-me ir,
como um balão que na mão de uma criança se solta no ar, para se perder livre de tocar, envolver e se apagar, no fofo branco das nuvens.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
NATAL
Quando a lua é tão cheia e redonda e toda a gente
corre pelos shopings, com pressa de nada, para fazer as compras de natal, a loucura só pode andar à solta.
Haja ao menos um pai Natal para nos ridicularizar nesta data tão festiva.
Haja ao menos crianças a sorrirem e a acreditarem mais nos sonhos
Haja sempre emoção para que as famílias não se dividam
Haja espírito para que a gratidão nunca acabe.
E haja mais sanidade para que a coragem não seja angustiada e eternamente engolida
Quando o natal for a união com o ritmo e a direcção acertada
O homem nunca mais se prederá nessa estrada
Até a terra prometida
corre pelos shopings, com pressa de nada, para fazer as compras de natal, a loucura só pode andar à solta.
Haja ao menos um pai Natal para nos ridicularizar nesta data tão festiva.
Haja ao menos crianças a sorrirem e a acreditarem mais nos sonhos
Haja sempre emoção para que as famílias não se dividam
Haja espírito para que a gratidão nunca acabe.
E haja mais sanidade para que a coragem não seja angustiada e eternamente engolida
Quando o natal for a união com o ritmo e a direcção acertada
O homem nunca mais se prederá nessa estrada
Até a terra prometida
sábado, 17 de dezembro de 2016
ALMA (DE)PENADA
A loucura é saber - te
Desejar sem procurar
E querer - te
Todos os dias
E todos os dias serem dias nenhuns
Se vazio de ti eu apenas sou...
Nada
Toda a alma penada é apedrejada pelo vazio do silêncio
Toda a ignorância é trazer na lembrança motivos de insatisfação
E toda a razão é dar ouvidos ao instinto do coração, quando a racionalidade, como se sabe, sempre foi pobre na arte de sonhar
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Subscrever:
Mensagens (Atom)






