domingo, 2 de julho de 2017

SONEGAÇÃO

Um amor não se acaba apenas se renova...
Combinaram sair da relação  devagarinho, não fosse o sentimento se aperceber e se amedrontar com o pensamento de ficar sozinho, ali ou em outro lugar.

Deram ao destino novos rumos, outros caminhos, novas oportunidades outros ensinos, capacidades de alcançar novos trilhos, moradas indecorosas de um corpo poder descansar

Refinaram realidades inoportunas
Desafiaram dimensões a solidificarem-se
Resgataram desejos a reerguerem - se a "amonstruarem-se" 
E cientes um do outro que o amor ainda hoje não se acabara, continuaram a sua saga, indiferentes, sabendo que um passado não se esgota nem se disfarça, por entre os dentes, quando carente é sempre e sempre o sabor daquele beijo que abastece as subtilezas de um palato amargurado

Um amor não se apaga apenas se renova
Pondo-te à prova nas 24 horas do dia

E sob esta melodia viveram conscientes que aquele que sonega aquilo que sente já mais encontrará no presente a sua morada, o seu caminho, bem como o destino a dar à sua direcção.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

DESERTIFICAÇÂO



Se amanhã eu nada for

e insistir em nada ser

Então será melhor presentear a oportunidade ao

espaço

A um todo o que virá

Pois tudo o que não é

Foi e sempre será

cobardia

Um estranho acto de  submissão

De acatar a apatia

Numa composição antagónica

que só a terra,

um dia,

há de comer...

  Há de apagar.






quinta-feira, 15 de junho de 2017

FICÇÃO

Ao contrário do que possas julgar...
A nossa sanidade depende na verdade muito mais
da ficção do que a realidade da acção,
com que nos gestos te entregas à causa

As acções geram comportamentos, bem sei...
Contudo são sempre primeiro os pensamentos (ficções) que desencadeiam a dimensão das possibilidades

A racionalidade só nos dá de comer enquanto o pão for alimento
Para lá destes sustento existem desnutridas inumeras fontes do corpo,
dos pés à alma

O saber é vaidoso
A matemática não é assim tão prática
E a lógica é suicida...
Gulosa de curiosidade 


domingo, 21 de maio de 2017

ROTAS

Nós não somos fracos, nós somos urbanos.
Nós não somos exactos, nós somos os ângulos de uma esquina.
Nós não somos sustento, nós somos alimento da terra.
Nós  não somos morada, nós somos o alcatrão das estradas,
sem tecto nem sina...

Vamos desafiar-nos ou ficar parados a pensar se erramos na direcção, das rotas da nossa ida?

sábado, 29 de abril de 2017

TACTO

Ter ciúme é amor?
Será que o amor se abala por ciúmes?
Haverá substância no ar que valha para se ignorar as batidas do coração ?
Ou será o ciúme uma falta de liderança, de exatidão com contornos de fraqueza, para domar bravios e perversos pensamentos ?
Uma coisa é certa...
No ar acabam-se sempre por apurar aromas, emoções, receios, factos, ilações, azedumes, energias, pulsações...
Inconcludentes é certo, mas perceptíveis de os poder sintetizar.

Já diz o ditado "o maior cego é aquele que não quer ver"
Eu apenas acrescento...

O maior cego é aquele que não quer ler, por no tacto não querer confiar

segunda-feira, 17 de abril de 2017

FiM

Sozinho no mundo é como te sentes no segundo, em que tudo à tua volta é inerte à tua dor.
Sem colo e sem guarida, sem um olhar companheiro, sem o conforto, até, de uma despedida, sem a ternura de uma mãe, esse amor tão verdadeiro, sem ar só com a dor,  sem motivos nem álibi  para poder continuar, sem afecto sem cama nem tecto, sem a paz de um regaço para o corpo poder descansar, sem ar só com a dor, sem argumentos nem vigor para que os sentimentos agonizados por dentro, possam por si só, de si, por fora aflorar. 

Enquanto não tocas com os ossos no chão, és dono e senhor dessa tua sina, reagindo precipitadamente aos impulsos da suave e tão doce ilusão... essa neblida.
E vais atrás das emoções não medindo o timbre das pulsações nem dos apelos
Acordando sempre tão fácil de mais, preocupado apenas e só, com o emaranhado da ponta dos teus cabelos.
Não és grato de facto pela comida que diáriamente reveste o teu prato, adormecendo - te a fome.
És sem sombra de dúvidas um ser cada vez mais disforme
Um homem longe da equação matemática de ser verdadeira
Uma incógnita
Um número
Um ponto
Um X
Uma sombra atabalhoda e preplexa, sem matriz 

Uma espécie de gente vergada a cambalear por aí ...
Uma alma moribunda, penada, sem rumo e sem estrada, desfigurada das promessas não compridas em torno si.

Aprende a dizer adeus!
Para que um passado não te deixe atrelado a uma esperança luzidia.
Aprende a dizer adeus!
Só assim é que a melancolia não será dona e senhora desse teu espaço 
Aprende a dizer adeus!
Para que um final traga-te realmente o desembaraço e um pontinho concludente,  bem vincado, em cima e no meio de um f(i)m.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

AMOR ANIMAL

Amor de pai é como o amor de cão
Não há chão onde ele não prolifere...
Nem razão nem argumento nenhum para que o sentimento pontiagudo em forma de cauda, possa um dia por dentro embrutecer, esmorecer e cessar, "de dar, dar e dar"