segunda-feira, 16 de maio de 2011

BOLA NO PÉ


Pingos escorrem pelas paredes
Num balneário húmido de decisões
Perscrutindo a tensão que arde por dentro
Num grupo de homens
trajados pelas mesmas cores

A fé e a crença de ganhar
O sucesso em querer vencer
O nome a cada constituição
O sonho com a camisola das quinas
É a vida...
É a ilusão
É o jogador de futebol

Anos ininterruptos de privação
Meses suados focados no objectivo
Dias de aplicação sublimando a eficácia
Horas de sacrifício enganando a dor de uma lesão
Minutos “borbuleantes” de entusiasmo a cada um novo jogo
Tudo isto é pouco...
Quando por dentro o sonho chora mais alto

Livre na forma de amar
Espontâneo na sede de um gesto

É a vida
É o futebol
Sentido e sabido
por aqueles que pisam firme
o tapete mágico dos sonhos
Onde tudo acontece
E a alma se engrandece
A cada inicio de uma nova partida

sexta-feira, 13 de maio de 2011

PERFEIÇÃO


Ainda que...
Amarrado em tua pele
Sob aromas e cheiros
Me trouxesses preso
ao sabor da tua boca
Eu nada seria sem a tua sede

Ainda que...
Pintasse a paixão nos teus passos
E que o vento assobiasse
o meu nome ao teu ouvido
Eu nada serei sem o tua vontade

Ainda que...
Moldasse o algodão das nuvens
E que o céu te assinalasse
por atalhos e vielas
o caminho da minha casa
Eu nada seria sem o teu desejo

De volta em volta
Há condutas que se quebram
De tempos a tempos
Há momentos que não são dias
De lés a lés
Há a inspiração que um beijo não sucumbe
Pé ante pé
Há sempre alguém
que abala por dentro as nossas estruturas

terça-feira, 10 de maio de 2011

RAZÃO


A lógica comeu a razão num dia assim...
Conquistando num gesto, o domínio de um passo
A confiança...o sentimento...o amor...
Tudo o que sentimos sem explicação é a nossa razão

A lógica subtraiu coragem á razão
E a coragem mirrou...
Humilhando-se a cada novo dia
na covardia dos dias sempre iguais
Educou sem razão...
Assentando e edificando a base lógica
Desvalorizou o sentir da atracão
no comodismo do imediato
Construiu cidades e países
sob doutrinas lógicas
que se valorizam em detrimento da razão

Não é lógico distanciarmos-nos da família
Mas sem razão essa lógica toma todo o seu sentido assertivo
Não é lógico haver desumanidade
Sem razão tudo é possível
Não é lógico governos e políticos exercerem mandatos
desgovernando a fome de um povo
Sem razão tudo é lógico

Nações que se erguem sob aproveitamento de crises
alheando-se da razão sob premissas lógicas
Mal gastam o homem

A lógica cresceu tanto
que hoje consegue ter raiva até de nós próprios
Consegue ter pena...

A raiva brota da lógica por não haver razão de existir

Crer na razão parece tarefa árdua
Mas é tão e somente crer... acreditar
Viver rodeado de razão
é tão perfeito que Éden e o seu jardim
Perderiam todas as suas maçãs
pela razão de não haver lógica que a substancie

Todos temos uma história para construir
Todos temos uma razão a defender
Todos somos poucos quando de lógica o mundo urge

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Rotinas


Vagueio silencioso pelas ruas desta cidade…
Por entre olhares surdos que não vêm
Na dormência de passos mudos que não sentem
Por entre a aura cinza das vestes da minha gente

Sei da história de todos eles
dos sulcos que cavam em suas direcções
Do cão que por tudo ladra
Das ilusões e amores que padecem
Da rotina diária a cada bica de café

Impotente como uma lágrima suprimida
numa garganta musculada pela agônia
...acompanho o actuar da marcha do tempo
que a tudo escoa a informação de tempos idos

Quando o peso do barril de petróleo e da moeda é mais relevante que a "politica monetária interior"... o sentimento é mero escudo de outr'ora

Impávido e expectante
evito a vaga de hipocrisia social
purificando na palavra
a luz que elumina a verticalidade dos meus actos

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Evidências


Por detrás da desgraça
Vivem os negócios mais rentáveis do planeta
Em cada foco de miséria
Há um nicho de riqueza que prospera
A cada corpo caído e mutilado pela fome
Há 21 gramas que se evaporam
E se materializam
Na cartola mágica de um magnata

Algures no telhado de um arranha-céus
O diabo pisca um olho
sempre que o “business” prolifera
E palmei-a o iludido
com um sorriso nos dentes
Enquanto abruptamente há alguém que se atira de uma falésia

Toda a desgraça é notícia
Mas ser desgraçado... Não!
Foi-se...
O trajecto para a morte não importa
O que interessa são os "quilos" de sangue presos nas rochas

A informação é veneno ilusório
O estado é soberano e as migalhas são democráticas
A droga de um povo
é a sua subserviência

Quando os poderosos não governam a indústria da cocaína
Toda a droga é penalizada
Prescrita e em conformidade com a lei
A mesma droga adquire um nome mais pomposo e elocutório
numa legalização de "estupefacientes"
Sendo assim tolerada e admnistrada
em maços de tabaco com letras maiúsculas
MATA
Mas como diz o povão ignorante
“ o que não mata, engorda”

Nas ruas, no metro, nos shopings...
Proliferam os bancos alimentares
E a dúvida persiste...
Será a desgraça que pisca o olho
Ou
Será o diabo que é mau e empurra as pessoas da falésia?

As evidências já não se escondem da vergonha
Hoje a vergonha é que se esconde das evidências

terça-feira, 19 de abril de 2011

Hesitar


Apareces e desapareces sem deixar rasto
Rodopias como uma folha
caída num vento de Outono
Que já não baila
na incerteza de uma brisa
Que já não dança a coreografia em espiral
na obra de um grande mestre


Deixas mensagens em palavras ocas
Sem miolo...
Futeis na cavidade do sentir
Vazias na ânsia de um desejo

Vais e vens como a espuma de uma onda da praia
Que se omite sempre que á beira mar
beija a areia indefesa
E vais construindo esse teu mundo
num rodopio afunilado
á sombra do teu umbigo

Hoje estás cá e queres iludir
Amanha estás lá e queres ocultar
Vamos fazer já?
E vencer o tempo
Ou será melhor depois...
Deixarmos arrefecer a imprudência?

Laços que se apertam no desejo
Relações que se materializam num beijo
Corpos que se encaixam e se amontoam
Num morder de lábios incessante

sábado, 9 de abril de 2011

Reconhece-te


Descrito num texto
Jaze a mais bela história de amor
Que nos rouba o passo de um chão
que é tão fofo de se pisar

A imaginação enche-se de prespectivas
E a vontade de desejos
O vazio transborda de afectos
E ao longe as rosas acenam
Engodos coloridos em seus anzóis

Alucinadas pelo toque
Salivam as glândulas
Num apetite extremo e sequioso
Ávidas de se banharem
Nos cheiros e nos sabores
Que se condensam num pálato
Refinado de suposições

O saber não se empresta
Nem o amor é claro e evidente
Como vem pormenorizado nas quadras de um livro
Amor é sabedoria
Saber...
é amar!

“Dar e receber... devia ser
A nossa forma de viver”