terça-feira, 12 de março de 2019

MEU MUNDO

Lá ao fundo, onde me revejo
há um tecto com cordeis a penderem de balões de todas as cores.
Há odores e sabores esticados por sorrisos
de tempos idos que já lá vão.
Há haveres de uma pertença satisfação
que nunca fora minha.
Há moralidades em cada eco, em cada esquina, que se articulam por parte incerta e que fazem parte da minha história.

Onde me revejo, há composições difusas a pairar reticentes órfãs de pontuação.
Há perspectivas capazes de me apurar a alma.
Há amor, mas sem o artigo nem as pluralidades de uma nobre distinção.
Porque aqueles que na minha carne se instalaram um dia, não vieram em vão...
São como as andorinhas que voltam sempre na primavera a procurar o seu ninho no aconchego dos beirais.

Lá ao fundo, onde me revejo moram ainda as traquinices.
O mesmo trinta e cinco da minha porta.
A mesma meninice onde na rua empedrada por calçada, os portões serviam de balizas,
e as vizinhas tinham todas o nome de "dona".

Onde me revejo, lá ao fundo, há uma zona de terra fértil onde crescem girassóis.
Há um céu azul primaveril polvilhado por nuvens de todas as dimensões.
Há os cheiros e as vozes dos almoços de família de domingo.
Há os poemas das canções que rimam com os sorrisos de menino, onde os amigos e as brincadeiras eram o destino, capaz de fazer esquecer todas as privações.

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