Talvez tenha sido só um beijo
O momento em que o alado do desejo
nos fez viajar...
Rasgar o fundo
Lembras-te ?
De comer a fome contra a parede
E de embriagarmos a carne a transbordar de sede
Sem recear o cambalear da queda
Sem temer o chão...
O impacto de não haver rede
Lembras-te ?
De olhos fechados revirarmos o mundo
E dos nomes murmurados a cada segundo
com que batizávamos a carne
Qual deles o mais vagabundo...
Profanando o sal, para que o imoral apurasse o pingo a so(u)ar
Lembras-te ?
Nada restaram das palavras se não os momentos
Nada ficaram das formas se não os silêncios
Em que presentes fomos irreais
No vôo picado de rotas ancestrais
Que clandestinos arriscámos em cada curva de gente
Lembras-te ?
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