quinta-feira, 23 de junho de 2016

CONSTELAÇÕES

"Porque me amas?"
                 
Ouviu-se no morno do silêncio.
Lá em baixo dois vultos e uma cama enrolados em seus corpos ensopados, de prazer, davam vida ao escuro de um quarto, barato e farto em desejo.
Ela olhou-o minuciosamente, e viu os seus olhos verdes, fixos, reluzentes à sua frente , à espera de uma resposta. Olhos verdes sinceros e pacientes...
"Amo-te porque os teus olhos me acalmam." Vociferou ela por fim, entre os dentes.
Há frases que rompem o tempo, e esta, sabe-se lá bem vinda de onde, tatuou aquele momento com uma sonoridade que fica, em jeito de verso de refrão.
Indiscritível e inanarravel foi o que se passou então, tal foi a vaga de mar para conjecturar letras e sílabas que podessem descrever a golfada de emoção, que um engolir provoca quando choca de repente com a intermitência do coração.
Dizendo-lhe ele...
"Percebo esta mesma realidade quando ao redor toda a paisagem se acaba, e a vida acontece ao milímetro.
Entendo este meu mundo quando a atmosfera que nos circunda simplifica o labirinto da vida lá fora.
Rendo-me à vida quando eu e tu fazemos de qualquer lugar a nossa guarida e de todos os instantes o nosso momento."

Lá em cima a noite acendeu, um destino brilhou e uma constelação pontificou o breu de um céu profundo.

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