sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

CÓCCIX





Não vou falar de sonhos nem de fé...
Talvez de um certo vazio,
quiçá de certos instantes ou vá lá,
de certos momentos vividos entre um ser ao não ser.
Ouviste bem...
Ao não ser!

Se o céu tivesse pernas,  dava-te um pontapé? 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

POEMA DA DESPEDIDA





Digo-te adeus, contudo ainda te quero 

Talvez não te vá esquecer, mas despeço-me de ti 

Não sei se me quiseste, não sei se te queria 

Ou talvez nos quisemos demasiado os dois 

 

Este gostar triste, apaixonado e louco 

Plantei-o em minha alma por querer-te 

Não sei se te amei muito 

Não sei se te amei pouco 

Mas sei que já mais voltarei a amar assim


Levo o teu sorriso adormecido na minha memória 

E o coração diz-me que nunca mais irei esquecer-te 

Mas ao ficar só 

Sabendo que te perdi

Talvez aí comece a amarte, como jámais alguma vez amei


Digo-te adeus, e talvez com esta despedida 

O sonho mais bonito morrerá dentro de mim

Mas despeço-me, para o resto da vida

Mesmo que continue pensando para sempre em ti.


         Adeus, eu ainda te quero 


* Traduzido de espanhol para português de Juan Gelman


 

Te digo adiós, y acaso te quiero todavía.

Quizá no he de olvidarte, pero te digo adiós.
No sé si me quisiste... No sé si te quería...
O tal vez nos quisimos demasiado los dos.

Este cariño triste, y apasionado, y loco,
me lo sembré en el alma para quererte a ti.
No sé si te amé mucho... no sé si te amé poco;
pero sí sé que nunca volveré a amar así.

Me queda tu sonrisa dormida en mi recuerdo,
y el corazón me dice que no te olvidaré;
pero, al quedarme solo, sabiendo que te pierdo,
tal vez empiezo a amarte como jamás te amé.

Te digo adiós, y acaso, con esta despedida,
mi más hermoso sueño muere dentro de mí...
Pero te digo adiós, para toda la vida,

aunque toda la vida siga pensando en ti. adeus

e mesmo assim eu te quero, todavia


*Original 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PORTA DOS SONHOS



  O Sonho é a capacidade que a vida nos dá para brincarmos de dentro para fora, ao invés a vida é o palco que o mundo nos oferece para com ele brincamos de fora para dentro, da melhor forma possível.


Nunca pares de brincar, nem que para isso tenhas que fazer longas pausas até que, de novo, voltes à realidade e, abras essa porta para as brincadeiras.

Talvez por isso é que seja tão importante saber brincar, para entrar no mundo dos sonhos.
Talvez por isso sejam necessárias as noites, bem dormidas.
Talvez por isso hajam tantas feridas quando crescemos, por não as saber sarar, quando na verdade, desde criança sabemos identificar aqueles que mais gostamos para brincar connosco.

Não leves a vida tão a sério, os joelhos não vão aguentar quando um dia te lembrares que, a saltar os dias valiam muito mais apena do que, o receio de recomeçar, seja o aquilo que for, a cada um novo dia.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

REMOER O VAZIO





"Nunca mais volto a procurar-te, podes ter a certeza que esta foi a ultima vez! "


Quantas e quantas vezes é que este episódio de uma possível rotura, já não se passou em algum momento nas nossas vidas?
Quantas e quantas vezes é que esta triste história não se apoderou de uma relação,  escravizando-a, empobrecendo-a, tornando-se num hábito?
Quantas e quantas vezes é que este não foi o mote para a derradeira rotura?
Quantas e quantas vezes é que não foi até a cura, para numa jogada de sorte surgida por mero acaso alguém de novo apareça, voltando a dar o clic, para nos animar e de novo florescermos?
Uma relação que se fortalece com ameaças, parece-me a mim uma união condenada à  desgraça, ao equilibrar-se na loucura das injurias, na frustração de um viver.


Debitar de ânimo leve cá para fora, palavras azedas, infames e caluniozas em prol da desarmonia, é semear no espaço a atrofia, sem colher da árvore da vida o fruto das estações.

Há que saber ceder. 
Há que saber desculpar. 
Há que saber ouvir. 
Há que saber respirar fundo. 
Há que saber ir sem remoer, nem olhar para trás.
Há que saber dar atenção, mesmo que agora a união tenho só um nó mais laço, e fácil de desapertar.
Uma relação que se agride com ameaças constantemente profetizando a rotura o seu final, é uma relação imoral, vazia de vitórias,  sem memórias válidas, sem cor nem valores, fadada ao fracasso, daqui e até sempre.
 
(...)


"Confesso que por vezes entro neste meu espaço só para me reler. 
Aliás quem é que não procura nesta vida  compreender, o caminho da sua ida na tentativa de se fortalecer?"

sábado, 25 de outubro de 2025

NO LENÇOL DAS EMOÇÕES




No mundo das emoções o homem é soberano e senhor das suas sensações, contudo não sabe a 100% se interpretar, em si  mesmo, e, muito menos ler e medir os outros, ao seu redor, nas decisões que tomam para com os seus botões.


Poderia ser diferente um futuro, se houvesse na bagagem mais competência emocional?
Completamente...

Pois a dívida que se paga ao ignorar as emoções, é mais que muita. Por "nunca haver tempo" ao longo da vida, para dar atenção à arte de aprender o saber de as decifrar. O ónus desta maleita estará para sempre reflectida no olhar de cada homem que acorda em todas as noites, sem sede, nem fome, sem força, nem vontade para vencer o aparecimento de um pensamento que vibra, e que ainda o seduz.


Não vale a pena fugir do fogo se para salvar um corpo é preciso apagar 1⁰ a inflamação.



terça-feira, 26 de agosto de 2025

DEGUSTAÇÃO


Porque terá um beijo fétido, na boca do abismo, que acalmar um desejo, que de insatisfeito é sempre cor de rosa?


Será que o prazer é louco por surfar a onda, no deleite de não se ter?

Não terá o homem que fazer muito mais por ele,  do que, todas as desculpas com que se constrói?

Ou será mesmo o egoísmo que nos afecta um ego delirante, ao ponto de tentarmo-nos por satisfazer, caprichos e emoções?

Haja para sempre desejos e um compromisso estóico de acordar o sono, capaz de nos motivar a rasgar etapas, subir ladeiras e a respirar profundamente cada momento, que nos enternece a alma.

Se de um arco-iris não for, de que tons será a cor da satisfação? 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

A VIDA NUM SOPRO


Quanto nos fica por dizer?

Quanto nos fica por contar?

Não por falta de literacia mas, por termos deixado morrer um dia, 

um pouco de nós.


Desabafar agora mudaria alguma coisa?

Talvez não...


Segundo os filósofos "o que não se vive persiste" na memória, pois o desejo é sempre o resultado de uma história inacabada.


O que vive em nós, vive porque se deseja.

O que sobeja dos outros vive ao nosso redor, sem de facto nos importar.


Talvez por isso,

é que sofrer faz parte,  daqueles que desejam muito.


Talvez por isso, 

faça todo o sentido haver histórias com reticências, 

bem como outras com um ponto final.