domingo, 19 de julho de 2026

SIMONE BEAUVOIR



"Entre as prostitutas e as que se vendem pelo casamento a única diferença consiste no preço e na duração do contrato"

terça-feira, 14 de julho de 2026

JOGO DE CINTURA



Tu fazes sempre as melhores escolhas quando não és o escolhido.

Sabias?

Quando tens a possibilidade, o poder e o livre arbítrio  da decisão.


Ao invés sentes-te convencido, quando és um nado sorteado e destinguido por os caprichos de alguém.

Como uma bola num saco de pano, és capaz de não te importar de ser o premiado, ao acaso, por uma mão que te escolhe no escuro, com o prémio de um carro. Envaidecendo-te o ego sem perceber que no fundo o que te dão são dívidas a longo prazo.
Seja o veiculo eléctrico, a Gás ou a combustão. 


Ser ou não a escolha?

Não percas tempo.

Ganha uma posição.

Decide-te!

Isto que escrevo não é sobre carros...


sábado, 11 de julho de 2026

FICAS OU VENS?





 Hoje de manhã enquanto conduzia presenciei um momento inusitado, entre um homem que ao andar de um lado do passeio, pela mesma calçada, se cruza com uma rapariga e, passados uns metros este volta-se para trás para avistar de novo a jovem, mas esta, continuou a andar sem rodopiar a cabeça para o avistar. Continuou na sua passada e passados mais uns metros o mesmo homem voltou de novo a olhar para trás como que a suplicar para a jovem aceder ao seu gesto, e uma vez mais a miúda não lhe deu troco, distanciando-se dele a cada passo, a cada impulso dele ao rodopiar a cabeça, a cada inspiração de um respirar que faz o mundo vibrar seja ele qual for esse desígnio no emaranhado da imaginação.


Talvez o amor também seja assim, um presente a andar sorridente pela calçada, entre um passado que nunca se apaga, e um futuro que por mais que olhe em frente, intermitentemente, não pára de olhar para trás.


quarta-feira, 1 de julho de 2026

DIOPTRIAS


 Se um dia eu tivesse o poder para apagar os meus pensamentos para não ter que suportar a dor, e esquecer um amor mal sucedido. Ainda assim, eu teria recusado apagar de mim as memórias que me causaram tantos danos. Pois entendo que tudo o que me fez sonhar um dia é património da minha existência, é a pérola de um oásis verdejante interior, de uma riqueza de viver em harmonia com uma certa dose de desconforto, é certo, mas talvez isso até seja necessário para entender que a paz, também ela, precisa de ter na sua sombra reflexos de um passado desordenado para que o acerto entenda, que agora,  a realidade faz todo o sentido.


O homem muda, o sentimento muda, a visão muda, a estrada muda, o sorriso muda, a nossa casa muda, até o amor muda, só quem não muda é o hemisfério de um abraço apertado, tão interior...


Nada se apaga tudo se refaz, e até um olhar cansado aprende a vislumbrar mais longe, independentemente do tamanho das suas dioptrias


Só quem se adapta ao presente vive de frente a outras realidades.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

SINAIS



 Será eterna a demência, daqueles que fingem não acreditar nos sonhos?


Será o homem capaz de fazer boas leituras, quando é descrente e agnóstico, ao voltar-se de costas para tudo o que lhe escapa?

E se o mesmo sonho for uma constante da vida, haverá no mundo matéria de  psicologia capaz de nos fazer acreditar na hipnótica correria do dia a dia desta dissonante realidade?

Resta saber se continuaremos eternamente a aprisionar a mente na matéria, ou se afinal permitiremos que a alma decifre o que a lógica insiste em ignorar.


domingo, 14 de junho de 2026

CHAMA



 O amor é quando a gente mora na mesma chama um no outro. 

 Se chama, nós esquenta, nós vai...

O amor é louco.

Sem drama de viver colado corpo no corpo, mesmo se uma brisa de verão num mês de Agosto, não vier para nos refrescar.

O amor é suor

O amor não engana

O amor arde

O amor é chama.


* texto escrito em tom Brasileiro 



segunda-feira, 8 de junho de 2026

A FLOR DO DESEJO

 





Sabes qual é a maior riqueza que se pode oferecer a uma mulher mas que não cabe dentro dos bolsos de um homem?
Formulei esta pergunta, do nada, com esperança de a fazer sorrir. Ela olhou para mim com os olhos a brilhar e disse-me "Chuta".

'São... as flores... Sabes porquê? "
Olhei-a também eu com os meus olhos a brilhar, talvez por reflectir nas minhas órbitas o encadeamento dos sinais de máximos dos seus...
Sem pestanejar respondeu-me de pronto com um "Não" bem redondo, como se a curiosidade não quisesse perder milésimos de segundos para bater um recorde mundial, numa corrida de 100 metros.
"Porque... sem espaço e no escuro... longe do olhar e dos afectos... todas as flores murcham"
Ela abraçou-me como se as horas ainda não tivessem sido inventadas pelo homem, segredando-me, momentos depois, em voz rouca ao ouvido.
"Podes-me levar no teu bolso?"
Zááaaaasss...Caí de mim, numa queda estrondosa que me esfolou cotovelos e joelhos, ao puxar-me o tapete da realidade por completo. Raptando-me o discernimento  ao não responder com prontidão e clareza a uma equação tão complexa.
"Eu sou feliz de noite ou de dia, em qualquer espaço apertado ou frio, onde couber. Eu sou como as ervas daninhas, não preciso de muito preciso é de viver com esperança de ser mulher perto de um homem que me queira daqui até à lua."

O silêncio entrou no raio do nosso olhar e sem marcação para nos tatuar na pele uma marca tão profunda, semeei na memória esta história que os anos iram lembrar, nas noites em que a sede me dominar o desejo, de um corpo nu... Carente de atenção.